sábado, 7 de janeiro de 2012

TIAGO NA TOCA E OS POETAS

             

      
Só nós dois é que sabemos
O quanto nos queremos bem
Só nós dois é que sabemos
Só nós dois e mais ninguém
Só nós dois avaliamos
Este amor, forte, profundo...
Quando o amor acontece
Não pede licença ao mundo.

Anda, abraça-me... beija-me
Encosta o teu peito ao meu
Esquece o que vai na rua
Vem ser minha, eu serei teu
Que falem não nos interessa
O mundo não nos importa
O nosso mundo começa
Cá dentro da nossa porta.

Só nós dois é que sabemos
O calor dos nossos beijos
Só nós dois é que sofremos
As torturas dos desejos
Vamos viver o presente
Tal-qual a vida nos dá
O que reserva o futuro
Só Deus sabe o que será.
            
“Só nós dois”, poema e música de Joaquim Pimentel.
Do álbum/ livro: Tiago na Toca e os Poetas
            
                                         Tiago na Toca e os Poetas
        
                  
Tiago na Toca e os Poetas
O álbum reúne poemas que Tiago Bettencourt musicou no Verão de 2008, entre os álbuns Jardim e Em Fuga
            
O músico Tiago Bettencourt lança esta semana Tiago na Toca e os Poetas, um álbum no qual canta poemas de autores portugueses na companhia de amigos, e que surge acompanhado de um livro.
           
“Tiago na Toca e os Poetas é um projeto à parte — não é um disco, ou um livro, ou um personagem. É apenas o nome que dei ao conjunto de experiências que faço por intuição ou acaso, distintas dos meus discos de carreira”, refere o músico no texto de apresentação do projeto. Tiago na Toca e os Poetas reúne poemas que Tiago Bettencourt musicou no Verão de 2008, entre os álbuns Jardim e Em Fuga.
      
O disco é composto por 13 temas, entre eles, “Cavalo à Solta”, um poema de José Carlos Ary dos Santos, que Tiago Bettencourt canta com Fernando Tordo, e “X”, de Florbela Espanca, que o músico interpreta com a fadista Carminho. No álbum, participam ainda Camané, Mafalda Nascimento, Inês Castel-Branco, Pedro Castro, Pedro Gonçalves (Dead Combo), Dalila Carmo, Tiago Maia e Pedro Puppe (Oioai). A solo, ou com companhia, Tiago Bettencourt canta também poemas de Sophia de Mello Breyner Andersen, Alexandre O’Neill, Fernando Pessoa e David Mourão Ferreira, entre outros.
     
Além de um álbum, Tiago na Toca e os Poetas é também um livro, que o músico elaborou em conjunto com o ilustrador Mário Belém. “O ‘Tiago na Toca’ deixou de ser apenas um álbum de música e passou a ser um objeto único, limitado, especial. Cada poema está acompanhado de um texto escrito por mim com o relato de cada gravação. O meu pai escreveu um prefácio”, refere o músico.
     
O disco/livro está à venda em exclusivo nas lojas FNAC e todo o lucro das vendas reverte a favor da Associação Ajuda-me a Ajudar.
    
       
Tiago na Toca e os Poetas
       


Poema: “A Pedra”, José Blanc de Portugal
Música: Tiago Bettencourt
Do álbum/ livro: Tiago na Toca e os Poetas

           
           
                 
Tiago Bettencourt
Espreitámos a sua toca, os seus poetas
          
Tem um disco lá dentro, mas parece um livro. É um livro, mas vive de poemas musicados e cantados. Tiago na Toca e os Poetas é um objeto artístico híbrido, que apetece ter nas mãos.
           
É uma espécie de pausa na discografia oficial do ex-vocalista dos Toranja, que se dedicou a (re)visitar os seus poetas, em registo lo fi. Depois de ter passado por três hotéis (em Arganil, Évora e Sagres) em concertos superintimistas, Tiago Bettencourt, 32 anos, vai apresentar este disco-livro em janeiro, em palcos de Lisboa, Porto e Coimbra.
           
Apresenta este novo trabalho pela negativa: «Não é um disco, ou um livro, ou um personagem.» É o quê?
Gravei este material entre o meu penúltimo e o meu último álbum [O Jardim, de 2007, e Em Fuga, de 2010], porque queria fazer o que me apetecesse, experimentar com total liberdade... Primeiro, pensei em disponibilizar estes temas só na net, mas, depois de musicar alguns poemas, senti que estava ali um conjunto de canções engraçado, que podia ser editado. É um bocado a minha persona mais indie, fora da indústria...
         
Como é essa toca? É a sua casa?
Sim, o disco foi todo gravado num estúdio caseiro, que hoje é muito fácil de conseguir, centrado num computador. Podem ouvir-se os vizinhos a jantar, ou a campainha a tocar... Todas as faixas foram gravadas em takes contínuos, num registo muito lo fi, muito distante das grandes produções...
         
Musicou poetas que o fizeram «começar a escreve». Que nomes lhe ocorrem logo?
Sophia ‑ o meu pai tinha várias primeiras edições dela, que me marcaram muito... ‑, David Mourão Ferreira, Pedro Homem de Mello, Florbela Espanca, Pessoa e outros...
         
Refere também o fado. Foi uma porta importante para a literatura e a música?
Sim, sem dúvida. Houve uma altura, por volta dos meus 15/16 anos em que comecei a ouvir fado todos os dias. Ainda mais do que a partir da leitura, fiz ali um autêntico curso de poesia, e de como cantar boas letras em português.
         
Tiago na Toca e os Poetas vai pagar IVA reduzido, como um livro, ou a taxa normal, como um disco? Acha que essa distinção faz sentido?
Não sei... Mas isso não faz mesmo sentido nenhum. Acho que toda a gente concorda que os discos são cultura. Essa distinção só pode ter a ver com interesses paralelos, que nem sei quais são, a pequenez dos interesses que tantas vezes ganha importância em Portugal.
        
Pedro Dias de Almeida entrevista Tiago Bettencourt
Visão nº 981, 22 a 28 de Dezembro de 2011 (secção “Cultura/Pessoas”, p. 112)
         


Poema: “X”, Florbela Espanca
Do álbum/ livro: Tiago na Toca e os Poetas
Voz: Carminho
Piano: Tiago Bettencourt
Música: Tiago Bettencourt


         
X
Eu queria mais altas as estrelas,
Mais largo o espaço, o Sol mais criador,
Mais refulgente a Lua, o mar maior,
Mais cavadas as ondas e mais belas;

Mais amplas, mais rasgadas as janelas
Das almas, mais rosais a abrir em flor,
Mais montanhas, mais asas de condor,
Mais sangue sobre a cruz das caravelas!

E abrir os braços e viver a vida:
- Quanto mais funda e lúgubre a descida,
Mais alta é a ladeira que não cansa!

E, acabada a tarefa... em paz, contente,
Um dia adormecer, serenamente,
Como dorme no berço uma criança!
         

   


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