quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

ILHA, Pedro da Silveira

         
        
ILHA
            
Só isto:
                 O céu fechado, uma ganhoa
pairando. Mar. E um barco na distância:
olhos de fome a adivinhar-lhe, à proa,
Califórnias perdidas de abundância.
          
Pedro da Silveira
A Ilha e o Mundo, 1952
        
           
ilha de São Jorge, por Diografic, agosto de 2017


Pedro Laureano Mendonça da Silveira, natural da Ilha das Flores, nos Açores, foi um poeta e investigador de avantajada cultura, com colaboração dispersa em numerosas revistas, açoreanas e continentais. Pertenceu ao conselho de redacção daSeara Nova até 1974. É autor de vários livros de poesia, estreando-se com A Ilha e o Mundo, editada em 1953, e de duas antologias de poetas açoreanos, a primeira das quais com um prefácio em que autonomiza a literatura deste arquipélago em relação a todas as outras literaturas de expressão portuguesa. Foi, depois do 25 de Abril, membro da comissão de gestão BN, tendo-se reformado como director de serviços desta instituição.
O espólio (34 cx.) engloba manuscritos do autor, (com destaque para a organização de antologias e outros projectos de edição), correspondência, documentos biográficos, recortes de imprensa e alguns manuscritos de terceiros.
Doação faseada do autor iniciada em 1981 com incorporações em 1995, 1997 e 1998. Em Abril de 2003 o acervo foi completado com a doação do remanescente por parte da viúva do escritor, Sra. D. Athiná Mendonça de Oliveira Dáskalos da Silveira.
      
          
                     




Cartão de identidade de Pedro da Silveira como membro da Casa dos Açores, 1958
BNP Esp. E39/cx. 6
        
          
        
SILVEIRA, PEDRO DA
         
N. Fajã Grande, ilha das Flores, 5.9.1922 – m. Lisboa, 13.4.2003]
Fica-lhe bem o epíteto de o mais ocidental poeta europeu, por ter nascido no ponto em que a Europa e a América mais se aproximam uma da outra. Talvez esse facto e a existência de uma forte tradição migratória na família (ele próprio possuía passaporte americano) ajudem a explicar a inquietação e a errância intelectual deste homem, poeta, investigador histórico e literário, tradutor, etnógrafo.
Nos anos 40 do século XX, na cidade de Ponta Delgada, transformou o jornal A Ilhanum pólo aglutinador de jovens intelectuais; neste jornal divulgou a moderna literatura cabo-verdiana (revista Claridade, de 1936), cujos autores também nele colaboraram.
O seu primeiro livro de poemas atestaria de forma irrecusável esse contacto com os poetas cabo-verdianos e também com um poeta brasileiro como Manuel Bandeira. De resto, a poesia de Pedro da Silveira soube sempre assinalar uma forte vinculação ao chão açoriano, ao mesmo tempo que se desdobrava num constante e profícuo diálogo com «as ilhas todas do mundo», em termos culturais e poéticos.
Em 1951, Pedro da Silveira fixou residência em Lisboa, tendo exercido aí várias actividades e reformando-se em 1992 como director de serviços da Biblioteca Nacional. Redactor da revista Seara Nova até 1974, deixou colaboração dispersa pela imprensa nacional e estrangeira, do Brasil ao México, de Cabo Verde a Moçambique.
A sua Antologia de Poesia Açoriana – do século XVII a 1975 (Lisboa, Sá da Costa, 1977) reúne um precioso manancial de informação histórica e biobibliográfica; o extenso verbete «Açores» no Grande Dicionário de Literatura Portuguesa e de Teoria Literária, de João José Cochofel, constitui uma excelente amostra do que viria a ser a História da Literatura Açoriana, que andava a preparar quando faleceu.
Pedro da Silveira foi ainda um atento pesquisador literário e etnográfico, como o reconhece o investigador Gerald Moser e o atestam as numerosas recolhas de exemplares da oratura que efectuou e de que deu conta em publicações avulsas.
Deve-se a Pedro da Silveira a reedição de Almas Cativas (Lisboa, Ática, 1973), de outro grande poeta açoriano, o simbolista Roberto de Mesquita, cuja lição de enraizamento poético não deixa de repercutir em Silveira, embora já em diferentes modulações expressivas e estéticas, que passam, entre outras coisas, pela utilização de processos discursivos da oralidade: a transposição da fala popular, o tom narrativizante de alguns poemas e de algumas sequências poéticas que muito devem à tradição narrativa popular.
           
Obras. Poesia: (1952), A Ilha e o Mundo. Lisboa, Centro Bibliográfico. (1962), Sinais de Oeste. Lisboa, Ed. do autor. (1985), Corografias. Lisboa, Perspectivas & Realidades. (1999), Poemas Ausentes. Santarém, O Mirante. A sua obra completa começou a ser publicada pela Direcção Regional da Cultura, sob o título deFui ao mar buscar laranjas, de que saiu apenas o 1.º volume (Angra do Heroísmo, 1999).
Diversos: (1986), Mesa de Amigos, Angra do Heroísmo, Direcção Regional dos Assuntos Culturais. (2.ª ed., Lisboa, 2002), traduções de poesia feitas ao longo de mais de trinta anos; (s.d.), 43 Médicos Poetas(antologia). Porto, Laboratório Normal. (1999); Antologia Poética, de Joaquim Fortunato de Valadares Gamboa. Santarém, Ed. O Mirante.
        
Bibl. Fagundes, F. C. (1999), A Visão da Outra Margem: A emigração em A Ilha e o Mundo de Pedro da Silveira, in Gávea-Brown, Providence, Department of Portuguese and Brazilian Studies, Brown University, Dec., XIX-XX. Sousa, J. R. (2000), Pedro da Silveira: um viajar no tempo e nas palavras, in Atlântida, Angra do Heroísmo, XLV. Bettencourt, U. (2003), Pedro da Silveira- a escrita e o mundo, in Ilhas conforme as circunstâncias. Lisboa, Edições Salamandra.
           
Silveira, Pedro da”, verbete da Enciclopédia Açoriana, Urbano Bettencourt
© 2011 Direção Regional da Cultura, Centro de Conhecimento dos Açores
            
        
Pedro da Silveira
          
          
        
   Sugestões de leitura
   
           
OBRA DE PEDRO DA SILVEIRA. ENSAIOS. ESTUDOS
BOLETIM DO NCH Nº 15, 2006    
   
    

    
     

    

[Post original: http://comunidade.sol.pt/blogs/josecarreiro/archive/2013/01/30/PedroDaSilveira.aspx]
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