segunda-feira, 7 de abril de 2014

ANTERO DE QUENTAL (1842-1891)






ANTERO DE QUENTAL 







 Leitura orientada da lírica anteriana:

A angústia existencial.
Figurações do poeta.
Diferentes configurações do Ideal.
Linguagem, estilo e estrutura:
‒ o discurso conceptual;
‒ o soneto;
‒ recursos expressivos: a apóstrofe, a metáfora, a personificação. 
 

(Programa e Metas Curriculares de Português. Ensino Secundário. Versão para discussão públicaNovembro de 2013.
Helena C. Buescu, Luís C. Maia, Maria Graciete Silva, Maria Regina Rocha. Governo de Portugal - Ministério da Educação e Ciência)



POEMAS
INCIPIT
Conquista, pois, sozinho o teu Futuro,
Se é lei, que rege o escuro pensamento,
Pôs-te Deus sobre a fronte a mão piedosa:
As fadas... eu creio nelas!
Há mil anos, bom Cristo, ergueste os magros braços
Não se perdeu teu sangue generoso,
Tu, que dormes, espírito sereno,
Num sonho todo feito de incerteza,
Chovam lírios e rosas no teu colo!
Em sonho, às vezes, se o sonhar quebranta
Renasço, amigos, vivo! Há pouco ainda
Em vão lutamos. Como névoa baça,
Depois que dia a dia, aos poucos desmaiando,
Sonho de olhos abertos, caminhando
Ó quimera, que passas embalada
Deixá-la ir, a ave, a quem roubaram
Pelo caminho estreito, aonde a custo
Fui rocha, em tempo, e fui, no mundo antigo,
Razão, irmã do Amor e da Justiça,
Aquela que eu adoro não é feita
Pelas rugas da fronte que medita
Noite, irmã da Razão e irmã da Morte,
Tu, que eu não vejo, e estás ao pé de mim
Mãe - que adormente este viver dorido.
Na tua mão, sombrio cavaleiro,
Esse negro corcel, cujas passadas
Na mão de Deus, na sua mão direita,
Homem! Homem! Mendigo do Infinito!
Para além do Universo luminoso,
O Povo há de inda um dia entrar dentro do Templo,
Ninguém o dia sabe ao certo: entanto, vemos
No meu sonho desfilam as visões,
Espírito que passas, quando o vento
Noite, vão para ti meus pensamentos,
Sonho que sou um cavaleiro andante.
Junto do mar, que erguia gravemente
Há mil anos, e mais, que aqui estou morto,
Aspiração... desejo aberto todo
Visões! sonhos antigos!
Disse ao meu coração: Olha por quantos
Quando Cristo sentiu que a sua hora
Sonho-me às vezes rei, n'alguma ilha,
Já não sei o que vale a nova ideia,
Num céu intemerato e cristalino
Conheci a Beleza que não morre
Fumo e cismo. Os castelos do horizonte
Eu vi o Amor ‑ mas nos seus olhos baços
Adornou o meu quarto a flor do cardo,
Ouve tu, meu cansado coração,
Embebido num sonho doloroso,




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