segunda-feira, 28 de julho de 2014

AULA DE PORTUGUÊS


        

A linguagem
na ponta da língua
tão fácil de falar
e de entender.

A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que quer dizer?

Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.

Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a priminha.

O português são dois; o outro, mistério.
          
Carlos Drummond de Andrade
       
Notas:
  • O poema menciona que o português “são dois”, porque o mesmo idioma pode ser empregado em diferentes situações. 
  • O poeta expressa o contraste entre marcas de variação de usos da linguagem em situações formais e informais. (Enem-MEC)
  • Verso 6 - Quando ele diz "na superfície estrelada das letras" está sugerindo o mistério das letras, ao mesmo tempo que a valoriza.
  • Verso 8 - Carlos Góis é autor de uma gramática da língua portuguesa.
  • Verso 10 - A expressão "amazonas de minha ignorância" é utilizada para exprimir a dimensão exagerada de seu desconhecimento.
  • Verso 11 - "Esquipáticas" - Esquisitas + antipáticas.
  • Verso 12 - Observe a sequência formada pelos verbos "atropelar", "aturdir" e sequestrar, que expressam o pânico que o aluno sente diante de tantos mistérios da língua escrita.
  • Versos 13-17 - As ações enumeradas pelo poeta revelam a facilidade de utilizar a língua como meio de comunicação do dia a dia.
  • Verso 18 - O verso final comprova a dúvida confessada nos versos 5, 6 e 7. (por Sandro Zanon, http://profzanon.blogspot.pt/2010/02/aula-de-portugues-carlos-drummond-de.html)
          

[Post original: http://comunidade.sol.pt/blogs/josecarreiro/archive/2014/07/28/auladeportugues.aspx]


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