segunda-feira, 25 de abril de 2016

“POESIA ÚTIL” E LITERATURA DE RESISTÊNCIA

A literatura como arma contra a ditadura e a guerra colonial portuguesas




Poucos, muito poucos foram os poetas que se mantiveram alheios aos anos de ferro e manha da ditadura salazarista. De forma mais explícita ou mais discreta, mais pessoal ou pública, com palavras de indignação, de denúncia ou verrina, raros foram aqueles que não lavraram um pequeno ou grande incêndio nos seus livros, num ou noutro poema, num verso apenas que fosse(José Fanha in apresentação De Palavra Em Punho – Antologia Poética da Resistência. De Fernando Pessoa ao 25 de Abril. Porto, Campo das Letras, 2004)
Apesar de esta tendência, que aqui designamos como poesia de intervençãonão existir enquanto movimento literário autónomo (e, em rigor, com ela possamos relacionar autores das mais distintas profissões de fé estético-literárias), adotamos a proposta terminológica sugerida por Óscar Lopes: «Em termos de poesia de qualidade, não é possível isolar uma tendência de intervenção política ou de intenção realista, pois ela manifesta-se, e por vezes de modo bem vivo, em obras de sensibilidade tão diferente como as de Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner, Alexandre O’Neill […] Vamos no entanto agrupar um conjunto de poetas cuja fase de consagração se liga a uma clara atitude de polémica ou de crítica social (Lopes e Saraiva, 1996:1069 apud Sílvia Cunha, 2008 :47)

ÍNDICE (para consulta, clique nas hiperligações abaixo indicadas)
  • Leitura orientada de obras de intervenção sociopolítica do século XX português:
DATA
GÉNERO
AUTOR
TÍTULO
INCIPIT
1936-38
Poesia
José Gomes Ferreira
Não, não queremos cantar 
1936-38
Poesia
José Gomes Ferreira
Homens: na noite do desânimo
1940
Poesia
Manuel da Fonseca
O poeta tem olhos de água para refletirem todas as cores do mundo,
1940
Poesia
Manuel da Fonseca
Entontecido
1942
Poesia
Sidónio Muralha
Já não há mordaças, nem ameaças, nem algemas
1942
Poesia
Sidónio Muralha
Cada gesto de ódio
1945-48
Poesia
José Gomes Ferreira
Todas as noites toca um telefone na Lua.
1946
Poesia
José Gomes Ferreira
Acordai
Não fiques pra trás ó companheiro
1946
Poesia
Jorge de Sena
Estava sentado no degrau da porta.
1950
Poesia
Miguel Torga
Ar livre, que não respiro!
1952
Poesia
Egito Gonçalves
Aproveito a tua neutralidade,
1952-79
Poesia
Egito Gonçalves
Com palavras me ergo em cada dia!
1952-79
Poesia
Egito Gonçalves
Por aqui andamos a morder as palavras
1956
Poesia
Jorge de Sena
Não hei-de morrer sem saber
1957
Poesia
Mário Cesariny de Vasconcelos
Entre nós e as palavras há metal fundente
1957
Poesia
Natália Correia
Dão-nos um lírio e um canivete
1958
Poesia
Alexandre O’Neill
Nos teus olhos altamente perigosos
1958
Poesia
Sophia de Mello Breyner Andresen
Este é o tempo
1960
Poesia
Alexandre O’Neill
O medo vai ter tudo
1961
Pintura
Joaquim Rodrigo

1961
Poesia
Jorge de Sena
Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
1962
Poesia
Alexandre O’Neill
Perfilados de medo, agradecemos
1962
Poesia
Sophia de Mello Breyner Andresen
Ressurgiremos ainda sob os muros de Cnossos
1962
Poesia
Sophia de Mello Breyner Andresen
Para atravessar contigo o deserto do mundo
1962
Poesia
Sophia de Mello Breyner Andresen
As pessoas sensíveis não são capazes
1963
Poesia
José Afonso
No céu cinzento
1965
Poesia
José Carlos Ary dos Santos
Enfio os mocassinos do meu tempo nos pés
1965
Poesia
Manuel Alegre
Pergunto ao vento que passa
1965
Poesia
Manuel Alegre
Se sabeis novas do meu amigo
1966
Poesia
José Saramago
Venham leis e homens de balanças,
1967
Poesia
Manuel Alegre
Palavras tantas vezes perseguidas
1967
Poesia
Manuel Alegre
No meu país há uma palavra proibida.
1967
Poesia
Manuel Alegre
Como Ulisses te busco e desespero
1967
Poesia
Manuel Alegre
Qualquer coisa está podre no Reino da Dinamarca.
1967
Poesia
Jorge de Sena
Não é que ser possível ser feliz acabe,
1969
Poesia
José Afonso
No inverno bato o queixo
1969
Poesia
José Carlos Ary Dos Santos
É preciso dizer-se o que acontece
1970
Poesia
Ruy Belo
O portugal futuro é um país
1970
Poesia
Ruy Belo
Neste país sem olhos e sem boca
1970
Poesia
Ruy Belo
O lugar onde o coração se esconde
1970
Poesia
Rosalía de Castro / José Niza / Adriano Correia de Oliveira
Este parte, aquele parte
1971
Poesia
Adriano Correia de Oliveira
Se sabedes novas do meu amigo
1971
Poesia
José Afonso
Grândola, vila morena
1971
Poesia
Camões / José Mário Branco
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
1971
Poesia
Sérgio Godinho
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
1972
Poesia
Jorge de Sena
Que esperar daqui? O que esta gente
1972
Poesia
José Carlos Ary Dos Santos
Serei tudo o que disserem
1972
Poesia
Sophia de Mello Breyner Andresen
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
1972-73
Poesia
Manuel da Fonseca
Tejo que levas as águas
1972-73
Poesia
Manuel da Fonseca
Tu que vens agora de Montemaior
1973
Poesia
José Afonso
A formiga no carreiro
1973
Poesia
José Afonso
Venham mais cinco
1973
Poesia
José Carlos Ary Dos Santos
Não importa sol ou sombra
1973
Poesia
Ruy Belo
Meu único país é sempre onde estou bem
1974
Poesia
José Niza
Quis saber quem sou
1974
Cartoon
João Abel Manta

1974-1975
Poesia
Sophia de Mello Breyner Andresen
Esta é a madrugada que eu esperava
1975
Poesia
José Carlos Ary Dos Santos
Era uma vez um país
1975
Poesia
José Mário Branco
A cantiga é uma arma
1976
Poesia
Sérgio Godinho
O D. Sebastião foi para Alcácer Quibir
1977
Poesia
José Carlos Ary Dos Santos
Agarro a madrugada
1978
Poesia
José Carlos Ary Dos Santos
Isto vai meus amigos isto vai
1979
Poesia
José Mário Branco
Quando o avião aqui chegou
1981
Poesia
Manuel Alegre
A rosa a espada o Tempo a lua cheia
1982
Poesia
Fausto Bordalo Dias
O barco vai de saída
1982
Romance
Olga Gonçalves
Ora esguardae
1982
Poesia
José Mário Branco
A contas com o bem que tu me fazes
1983
Poesia
Vitorino
Perguntei ao vento
1990-93
Poesia
Natália Correia
Nesta praia, amigas, de onde p’rás cruzadas












   

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