sábado, 19 de novembro de 2016

O poema tem mais pressa que o romance






ARREPENDO-ME DE A METER NUM ROMANCE

O poema tem mais pressa que o romance,
Asa de fogo para te levar:
Assim, pois, se houver lama que te lance
Ao corpo quente algum, hei de chorar.

Deus fez o poeta por que não descanse
No golfo do destino e amores no mar:
Vem um, de onda, cobri-la — e ela que dance!
Vem outro — e faz menção de me enfeitar.

Os outros a conspurcam, mas é minha!
Chicoteá-la vou com a própria espinha,
Estreitam-me de amor seus braços mornos,

Transformo seus gemidos em meus uivos
E torno anéis dos seus cabelos ruivos
Na raspa canelada dos meus cornos.

      A poética vitoriana, percebida na estrutura do soneto “Arrependo-me de a Meter num Romance”, aborda como filão temático a magnitude do fazer poético, concebida de forma totalizante, um ato de entrega entre o poeta e a poesia.
      O título do poema, por si, já traz um ar de enigma. O eu lírico lamenta um ato cometido contra determinado ser, cuja identificação torna-se oculta, camuflada pelo demonstrativo “a”. Sabe-se que esse ser sofrera uma imposição do sujeito poético: fora encerrado (metido) com brutalidade num romance. Numa primeira visão, pode-se perceber que o título trata de uma desilusão num relacionamento amoroso e que o ser em questão seria uma mulher, obrigada a comprometer-se com o sujeito poético. O fracasso dessa relação reside justamente no fato desse sujeito conscientizar-se de que o romance imposto à mulher amada não condizia com a necessidade da mesma: ela queria algo rápido, porém intenso; já o eu lírico buscava um vínculo mais duradouro e suave.
      O verso inicial (“O poema tem mais pressa que o romance”) funciona como justificativa para a constatação do eu lírico no título no soneto. A partir desse verso, tem-se a real identidade do ser, anteriormente velada. Trata-se da poesia. O fazer poético tem mais urgência que o fazer prosaico, visto que a construção de um poema requer total fluidez da inspiração, uma entrega absoluta do poeta ao sentimento que se quer revelado. Assim também captou Herberto Helder, ao escrever Sobre um Poema: “Um poema cresce inseguramente/ na confusão da carne”. O poema “cresce inseguramente” porque o poeta jamais poderá ter a certeza que o ímpeto que o levou a escrever, impulso “na confusão da carne“, que ainda se encontra no reino abstrato da alma e no pulsar imediato dos sentidos, ainda impreciso e misterioso, virá a se realizar como um corpo total e íntegro. Por isso, o cosmo poético é diferente do romance e não pode ser incluído nesse universo.
      A poesia possui “asas de fogo”, numa referência à Fênix, pássaro mitológico cuja principal característica é a capacidade de regeneração. Sendo as cinzas, das quais a Fênix ressurge, uma visão interpretativa dada a qualquer texto poético, o renascimento da ave alegoriza a potencialidade que a arte poética têm de suportar várias interpretações.  Assim, renascer das cinzas funciona como uma renovação do poético, em cada nova interpretação que o leitor consegue conceber. Contudo, o eu lírico evidencia uma ressalva que poderá afetá-lo. Ele há de chorar, caso lancem lama sobre o corpo quente. A lama representa o despojamento da poesia de sua essência; é camuflá-la, encobri-la de algo que não lhe é próprio, desconfigurá-la. O corpo quente é a vida da poesia, aludindo à ave de fogo, em cujas veias pulsa intensamente a essência vital poética. Se houver alguma tentativa de moldar a poesia, enquadrá-la em paradigmas que não condizem que a dinâmica do fazer poético, o eu lírico chorará, não haverá contentamento. A lama, com sua propriedade gélida, enterrará o corpo quente da poesia, numa visão imagética de sepultamento.
      O ofício do poeta é estar em constante processo de criação, pois “Deus fez o poeta por que não descanse”. O fazer poético é divinizado, o poeta tratado aqui como um “deus” da poesia. O trabalho do poeta se equipara ao trabalho de Deus quando criou o mundo, descansando depois de sete dias, após o episódio genesíaco. Porém, o poeta não descansa. A missão que lhe é destinada é por demais árdua e elaborativa que o torna um ser compenetrado em sua arte poética, não lhe sendo permitido desviar-se “no golfo do destino” para outras veredas, deslumbrar-se com a própria capacidade criacionista que detém. Nem mesmo descansar “no mar (de) amores”, isto é, não se iludir com uma possível e posterior fama ou “glorificação” de seu trabalho, justamente pelo fato de que o fazer poético é sacralizado, desprovido de preocupações terrenas.
      No âmbito artístico, um mar de onda vem e cobre a produção poética do artista “e ela que dance!”. Um segundo mar aparece “e faz menção de (…) enfeitar” o eu lírico. Essa onda, identificada como uma aglomeração de louvores, a fortuna crítica de determinada produção poética, tem o poder de reduzir a importância estética que esta possui, fazendo-a “dançar conforme a música”. Por outro lado, essa mesma onda enaltece a figura do poeta, atribuindo-lhe maior prestígio e relevância, quando quem deveria ser o principal objeto de apreciação é a própria poesia. A pessoa do poeta é um mero instrumento para a concretude de algo maior: o poema.
      Ciente de que “os outros a conspurcam”, a tornem inferior ao poeta, excluída de sua real dimensão, o eu lírico se sente inconformado e, ao mesmo tempo, sente-se no direito de reivindicá-la em sua importância. Ela (a poesia) é dele! O elo que os une é indissociável; são carne da mesma carne, as metades que se juntam num só ser. O poeta é o único que possui o direito de “chicoteá-la (…) com a própria espinha”, e o faz não como os outros, por meio do discurso oralizado, mas com a única arma que dispõe: a palavra escrita. Somente escrevendo a poesia, ele pode castigá-la, “depreciá-la”, “imaculá-la”, isso feito com a espinha de sua inspiração. O sujeito lírico reconhece sua pequenez ao ser tomado “de amor” pelos “braços mornos” da poesia. Novamente, retoma-se o caráter do “corpo quente” atribuído à arte poética, a vivacidade que reside na tessitura do poema, que não lhe queima, mas o aquece. Pela relação poeta/poesia, o aspecto intelectual é deixado de lado, transcende para uma instância maior, alimentada por este envolvimento “amoroso” entre ambos. Contudo, um deve se sobressair diante do outro; e quem cede deve ser sempre o poeta: “Diminua eu para que tu cresças! (Evangelho de São João)”.
      O eu lírico toma posse de todas as emoções que povoam a superfície e a profundeza da poesia. Num processo de materialização da poesia, percebe-se uma espécie de relacionamento entre o poeta com esse ser-mulher-poesia que ganha corpo.   Ela o fala aos ouvidos com “gemidos”, cuja voz suave é tão inaudível que o poeta tem que transformá-los em seus “uivos” agudos, para poder gritar a todo o mundo o que está lhe perpassando a alma nesse instante. O eu lírico também torna os cabelos ruivos (o vermelho retomado como símbolo do ardente que habita a poesia) da poesia-mulher em “anéis”, dado o caráter cíclico que a arte poética apresenta, diferente da superfície lisa, linear que a prosa manifesta. Por fim, a poesia deixa “raspas caneladas” nos “cornos” do poeta. É como se, a cada poema produzido pelo poeta, fosse lhe retirado uma parte de si próprio, retira-se algo que existia em sua essência, deixando-lhe marcas profundas.
      Em resumo, o discurso poético de Vitorino Nemésio no soneto “Arrependo-me de a Meter num Romance” revela a relação indissolúvel do poeta diante de seu labor artístico. O poeta tem que se envolver de corpo e alma quando mergulhado no processo do fazer poético. É um ato de entrega e restritamente vinculado ao momento de inspiração. Por isso, devido a sua unicidade, não se pode meter a poesia num romance, deslocando-a de seu universo para outro universo. Fazer poesia é muito mais do que enquadrá-la num molde prosaico. É o mergulho no insondável de próprio ser, é como pescar a pérola que se traz suspensa na alma. É aventurar-se na descoberta da própria essência.
Saulo Lopes e Wildes de Oliveira Silva
Enviado por Saulo Lopes em 31/01/2012 para:
http://www.recantodasletras.com.br/resenhas/3472168

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► NEMÉSIO,Vitorino, 1901-1978
[Cadernos de caligrafia] / Victorino Nemésio. — 1973-1977. — 2 cadernos : [130] p. em 66 f. : il. ; 12,6 x 17,3 cm ou menos



Autógrafo a tinta azul, assinado, com datas a vermelho e ilustrações a vermelho e a azul. — Tem como suporte dois cadernos de «autógrafos» com capas cartonadas forradas a napopel castanho e verde, com filete duplo e corte das folhas a ouro. — O primeiro caderno contém cinquenta e três poemas copiados e ilustrados pela mão do autor, incluindo na folha de rosto o título «Caderno de caligraphia / Pertencente à menina Margarida Victória / q. lhe oferece o victorino nemésio» e a data «Lisboa, 29 de Março de 1973» e terminando com um «Índice de primeiros versos». Muitos dos poemas mencionam o local de escrita (Lisboa, Nice, S. Pedro do Estoril e Açores) e a data (29 Mar. 1973-4 Out. 1974). O segundo, com uma folha de rosto semelhante à do primeiro («2º Caderno de Caligraphia / Offereçido / à Menina Margarida Victória / pelo seu / menor criado e bem querido / Victorino Nemésio / Lisboa, 4 de Junho de 1977») inclui apenas 4 poemas, escritos em Barcelona, entre 28 Mar. 1976 e 14 Maio 1977. Existem vários poemas soltos que fariam provavelmente parte deste conjunto, mas não chegaram a ser copiados. — Dois poemas foram publicados na revistaAtlântida, Jan.-Mar. 1979, p. 5-6, e um na Colóquio/Letras, n.º 35, Jan. 1977, p. 59-60. Os dois cadernos foram publicados na íntegra por Luiz Fagundes Duarte, no vol. 3 das «Obras Completas de Vitorino Nemésio», com o título Caderno de Caligraphia e outros poemas a Marga. Lisboa: IN-CM, 2003. — Integram a colecção de Margarida Jácome Correia. Versões anteriores de alguns destes poemas fazem parte do espólio de Vitorino Nemésio (BNP Esp. E11).
BNP Esp. N51/cx. 5
http://purl.pt/13858/1/geneses/1/5-134.html




SINOPSE
Um livro inédito de Vitorino Nemésio (1901-1978), com edição de Luiz Fagundes Duarte, que também assina o prefácio à obra. E ali explica o percurso deste livro, que reúne cerca de 130 poemas do autor de "Mau Tempo no Canal". Nemésio escreveu estes poemas entre Março de 1973 e Maio de 1997, dedicados a D. Margarida Vitória, a última das suas paixões. Antes de morrer, o poeta copiou 53 deles para um caderno, onde escreveu, na folha de rosto: "Caderno de Caligraphia Pertencente à menina Margarida Vitória q. lhe ofereçe o victorino nemésio". Num segundo, a que chamou "Caderno de Caligraphia Offereçido à menina Margarida Vitória pelo seu menor criado e bem querido Victorino Nemésio", estão quatro poemas. A estes, LFD juntou outros 70, que Nemésio não tivera oportunidade de copiar para este segundo caderno por causa da doença, de que viria a falecer. Por dificuldades várias, que o organizador explica no prefácio (questões familiares, sobretudo), só agora, passados 25 anos sobre a morte de Nemésio, o livro vê a luz do dia. E, para além da qualidade literária (Nemésio é um dos maiores escritores da língua portuguesa no séc. XX), o livro vem confirmar o grande sedutor que também era. Como diz Rodrigues da Silva (JL, 19/2/03), referindo-se à sedução que eram as suas aulas, "o que os seus alunos, porém, talvez estivessem longe de imaginar é que ele, já depois de catedrático jubilado, dobrados os 75 anos de idade, escrevesse ainda poemas de amor e paixão como estes que ora se revelam".

"Um quarto de século após a sua morte, de Vitorino Nemésio publicam-se ainda inéditos. Notável! Sobretudo porque, neste caso, não se trata apenas de uma ou outra página solta, mas de todo um corpus poético e de alta qualidade."
R. da S, JL, 19/2/03

"Novo, verdadeiramente novo, para além da intensidade obsessiva do envolvimento, é o sensual, o afrodisíaco, o sexual, o fálico, o vulvar, abordado em termos elevados ou corriqueiros, metafóricos ou directos, e também o divertida e sinceramente 'descomposto' ou sabiamente desarrumado aqui e ali, isto para não dizer maesmo quase desbragado.
"(...) Pode dizer-se que esta sua poesia exprime o amor como uma insaciável apetência do mundo, do mesmo mundo de que ele se torna motor, no sentido em que Dante o dizia, como forma de conhecimento, no sentido também cósmico em que Camões o formulou, e, 'last but not least', enquanto dao existencial, a enlaçar a alma e o corpo com um sentido renovado da vida." 
Vasco Graça Moura, Público, suplemento Mil Folhas, 15/2/03 


14.2.14




[...] Aos 72 anos de idade, um ilustre poeta açoriano começa a escrever exaltados versos de amor tardio a uma mulher. Prolonga essa escrita por cerca de quatro anos e ela ocupa para cima de 220 páginas do volume agora editado pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, em edição da responsabilidade de Luiz Fagundes Duarte, Caderno de Caligraphia e outros poemas a Marga. Pensa em publicar em vida uma parte substancial dessa poesia, embora o livro só venha a sair a 14 de Fevereiro de 2003, isto é, a seis dias de se completarem vinte e cinco anos sobre a sua morte e, pelo menos desta vez adequadamente, a coincidir por um acaso feliz com a data conhecida como «dia dos namora­dos». No deslumbramento que sente, há dois aspectos que permitem relacioná-lo com outros casos: um é o do Garrett das Folhas Caídas, já referido, experiência de maturidade e libertação erótica, vivencial e poética, que na época foi quase revolucionária, mas que hoje, ante os poemas de Nemésio, mais se diria uma tímida produção para ser estudada em colégios de freiras; o outro é um paradigma humano e literário que implica uma experiência em que se cumulam maturi­dade, consciência da idade vivida e rejuvenescimento: refiro-me ao de Fausto e Margarida, com alguma ambiguidade, aliás irrelevante, no deslizamento da identificação com a personagem, Fausto, para a identificação com o próprio autor, Goethe: «Que tudo isto, afinal, são glosas de Goethe e Margarida», diz Nemésio, ou ainda:

No amor de Margarida eu, Goethe, me renovo.
Ah, Goethe victorino, como estes Versos finos cansam!
Goethe, se o for,  —  Victória a Margarida!

Mas paz a Margarida
Na praia da Victória
Onde o mar amanhece
E lhe traz peixe fresco [...]

Para além dos vários jogos de palavras a partir da onomástica, de que fica dado um exemplo, a coincidência de nomes, habilmente explorada pelo poeta português, entre a heroína de Goethe e a musa de Nemésio, funciona de modo a estabelecer o paralelo entre dois homens idosos e sabedores, dois criadores, que se transfiguram pela experiência amorosa. E também nas idades das protagonistas haveria por certo uma notável disparidade, uma vez que a Gretchen do Fausto é uma jovem inexperiente e Margarida Vitória contava 54 anos muito vividos em 1973, à data em que estes textos eclodem e explodem... Mas o princípio actuante de ambas estas figuras femininas, na vida e, para o que nos interessa, na expressão lírica da criação literária, é semelhante porque ambas proporcionam aos seus interlocutores entreverem a recuperação da juventude perdida e um intenso sentimento de felicidade.
  
Vasco Graça Moura
in Discursos vários poéticos ["Anfíbios sistemas de palavras", ou a poesia de amor de Vitorino Nemésio* apresentação de Caderno de Caligraphia e outros poemas a Marga (IN-CM, 2003)]
Edição © Babel, 2013
texto ©Vasco Graça Moura, 2013


6.5.10





carta de Vitorino Nemésio a Margarida




Casaréus do Tòvim,
(Coimbra), 2 Set° 1942. 

A sua carta deu-me muita alegria.  Acabo de lê-la.  Estou na aldeia há dois dias, rodeado de latadas morangueiras, com o vale do Mondego diante de mim, oliveiras derroda e às vezes a paz correspondente... (O meu Jorge partiu pela terceira vez um braço).  Mas basta de paisagem.  O que quero é fazer-lhe chegar rapidamente a minha gratidão por aquilo que me diz.  Vou guardar aquela polegada de cartão como uma das coisas mais honrosas da minha vida.

às vezes, lembrando-me do que tenho cá dentro para dizer, e que poderia sair em poema, romance ou "vida", e vendo a minha baça esterilidade de escritor, apetece-me soltar o "rai’s parto" dos carreiros que por aqui passam com os bois. Não é só o ofício de professor que me tira o tempo : são as mil e uma formas de dispersão para reforçar o orçamento.  Mas depois acontecem-me coisas como esta carta da Margarida, e penso de mim para mim que talvez valha a pena trocar uma hipótese de obra literária pela consolação de sentir que alguma coisa passou do meu entusiasmo a alguém.  "Talvez" !  Que mesquinho !  Mas "com certeza" !...

E até me vejo um velhinho de setenta anos, no esquife do limite de idade, coberto de flores e de cãs (essas minhas difíceis cãs de quarentão sem uma branca), e com uma borla, que ainda não comprei, toda orvalhada de lágrimas...  Haverá música para o"Antigamente a escola era risonha e franca" ?

Perdoe, Margarida ; não há direito de brincar assim numa carta como esta.

Repito que as suas palavras me comovem.  Estimo-as por virem de quem vême pela delicadeza com que escolheu as condições de isenção para mas mandar.

Desejo-lhe boas férias, — verdadeiras, alegres, sem sabedorias.

Minha Mulher retribui os seus cumprimentos.  Lembranças a seu Pai. E creia

na maior estima

Do seu muito amigo


Vitorino Nemésio





Em 1942, Margarida* acabara de se licenciar, com distinção, em Filologia Germânica, na Faculdade de Letras de Lisboa, onde Vitorino Nemésio fôra seu professor. Nesta altura, Vitorino Nemésio ainda não tinha publicado o romance Mau Tempo no Canal(1944).

Vitorino Nemésio é um dos nossos maiores poetas e escritores do século XX. No fim da sua vida, conquistou o público português com a crónica semanal  "Se Bem Me Lembro", programa transmitido pela RTP de 1969 a 1975 em horário nobre.





Vitorino Nemésio e alunos na Faculdade de Letras,
c. 1942**



*Uma fotografia de Margarida aqui

**Detalhe de fotografia reproduzida no livro Retrovisor, Um Álbum de Família.
À direita de Vitorino Nemésio está Maria da Graça Paço d'Arcos. À frente,no canto inferior direito, Maria Violante Vieira.







  


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