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sábado, 6 de fevereiro de 2016

Poetry and verse from The New Yorker magazine.

Ash

BY 

Strange house we must keep and fill.
House that eats and pleads and kills.
House on legs. House on fire. House infested
With desire. Haunted house. Lonely house.
House of trick and suck and shrug.
Give-it-to-me house. I-need-you-baby house.
House whose rooms are pooled with blood.
House with hands. House of guilt. House
That other houses built. House of lies
And pride and bone. House afraid to be alone.
House like an engine that churns and stalls.
House with skin and hair for walls.
House the seasons singe and douse.
House that believes it is not a house. 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

NOITES DE POESIA

Beber um copo de vinho e ouvir poesia – uma nova forma de sair à noite

A moda começou no Porto mas em Lisboa também já se pode sair à noite para ir ouvir poesia. São cada vez mais os bares que oferecem esta nova forma de saborear a vida noturna da cidade.
As noites de poesia no bar Irreal, organizadas pelo poeta e editor Nuno Moura, têm sempre convidados para as leituras.
MIGUEL SOARES/OBSERVADOR
Se para si o sinónimo de uma saída à noite cultural é ir ouvir fado numa tasca, está a perder um dos fenómenos emergentes mais instigantes da vida noturna das cidades: as noites de poesia.
Pior: se pensa que a poesia é uma coisa chata dita por gente demasiado monótona ou demasiado exaltada, é porque ainda não descobriu como ela pode ser divertida, comovente, e que as suas melodias escondidas são o melhor acompanhamento que há para um copo de vinho tinto.
No Porto, as noites de poesia já se fazem há mais de 20 anos e já têm os seus lugares icónicos como o Pinguim, o Piolho ou as Quintas de Leitura no Teatro do Campo Alegre. Em Lisboa, começaram no bar do teatro A Barraca, animadas pelo poeta Miguel Martins, mas nos últimos dois anos têm nascido como cogumelos. Neste momento há pelo menos sete noites de poesia espalhadas pela capital, uma para cada dia da semana. Nada de pretensioso: um bar, boa poesia, bom vinho, às vezes musica a acompanhar. Vale a pena percorrer estas capelinhas onde nasce uma nova forma de “estar na noite”para gente de todas as idades.

Bar do teatro A Barraca (Santos)

Ao poeta Miguel Martins e ao bar do teatro A Barraca devemos o início deste movimento das noites de poesia em Lisboa. Ali, todas as quintas-feiras, pelas 22h00, há uma sessão de leituras de poesia: é a Poesia às Quintas. Miguel Martins é o anfitrião mas há sempre um convidado e, por vezes, um músico. Aqui a poesia de culto é a portuguesa (como se compreende) mas podem ouvir-se líricas de outras línguas. Desde poetas mainstream aos clássicos, dos rebeldes às estrelas pop/rock.
Quintas de poesia do bar A Barraca. Fotografia retirada do Facebook Bar A Barraca

Povo (Cais do Sodré)

A semana no Cais do Sodré não começa sem uma noite de poesia. Todas as segundas-feiras às 22h00, mais coisa menos coisa, há uma sessão temática de poesia. As noites que ganharam o nome de Poetas do Povo são organizadas pelo músico Alex Cortez (ex-Rádio Macau) e têm como anfitrião o jornalista Nuno Miguel Guedes. Acontecem há mais de dois anos, passam por lá famosos e desconhecidos, e há espaço para todo o tipo de poesia a acompanhar com bons vinhos e bons queijos. Vá cedo porque a casa enche, e prepare a garganta, se quiser — estas noites de poesia têm uma segunda parte de “microfone aberto” onde cada um pode ir ler alguns poemas da sua autoria, ou simplesmente algum poeta de que goste. Na próxima segunda-feira, dia 21 de dezembro, vai haver poesia de Leonard Cohen. Podemos pedir mais?

Manuel João Vieira foi um dos convidados recentes para ler poesia no Povo.
Fotografia retirada do Facebook Poetas do Povo

Sagrada Família (Alfama)

As sessões de poesia na Sagrada Família começaram quando este espaço estava na avenida Duque de Loulé e continuaram quando se mudou para a Rua dos Remédios, em Alfama. A conduzir estas noites por onde passam sobretudo poetas portugueses, como Mário Henrique Leiria, Cesariny e Alexandre O’Neill, está o músico e poeta Tiago Gomes. Estasspoken words acontecem duas vezes por mês, sempre à terça-feira. A partir de janeiro passam a acontecer às quartas e ganham o nome de “Quartas da Palavra”. Na Sagrada Família também se pode jantar ao som de poesia, pelas 21h00.

Tiago Gomes, o poeta das palavras ditas na Sagrada Família. DR

Pratinho Feio (Bairro Alto)

Tiago Gomes assegura também as novas noites de poesia no Bairro Alto. Acontecem uma vez por mês no restaurante Pratinho Feio, pelas 21.30. Assim, tal como na Sagrada Família, pode jantar a ouvir poesia. Aqui faz-se cozinha portuguesa, confecionada de forma criativa. Às palavras dos poetas junta-se a música.

Irreal (Poço dos Negros)

Descendo a Calçada do Combro e entrando no Poço dos Negros vai ter ao Irreal, um bar muito palpável. Pequeno, charmoso, parece feito à medida para sessões de poesia ao fim da tarde. O poeta e editor Nuno Moura, que parece ter nascido para ler poesia e fazer do verbo carne, movimento e dança, costuma ter sempre um convidado. Na passada quinta-feira houve poesia acompanhada por Carlos Paredes tocado em cravo por Joana Bagulho. As sessões com Nuno Moura & guestsacontecem duas vezes por mês, sempre às quintas. O poeta António Poppe assegura a poesia duas quartas-feiras por mês. O espaço é pequeno e tem um público fidelizado, por isso vá cedo para saborear um vinho, uma cerveja e arranjar uma cadeira.
Joana Bagulho a tocar cravo numa das sessões de poesia do bar Irreal.
Foto: MIGUEL SOARES/OBSERVADOR

Primeiro Andar (Portas de Santo Antão)

A arca de Babel abre-se uma vez por mês no bar Primeiro Andar, no edifício do Ateneu Comercial, nas Portas de Santo Antão. Chama-seBabel’s Curse-poetry Sessions e é organizada pelo jovem poeta Vasco Macedo. Vasco é do Porto, cresceu a ir às sessões do Piolho e do Pinguim e quis fazer as noites de poesia mais marginais de Lisboa. Começou com as “Terças da Poesia Clandestina” no bar da Universidade Nova de Lisboa. Agora tem o Babel’s Curse que acontece uma vez por mês. Estas noites são sempre dedicadas à poesia de uma das línguas do mundo e têm um anfitrião convidado. O próximo curso é no dia 30 de dezembro e vai ouvir-se poesia cubana do século XX. Apesar do nome, não espere encontrar aqui uma “coisa académica”. Sem capas, batinas nem tunas, no Primeiro Andar ouve-se também boa música e pratica-se poesia como valor universal.
As noites de poesia do mundo no Primeiro Andar acontecem uma vez por mês.
Fotografia retirada do Facebook Babel’s Curse Poetry Session


Taberna Galegas (Cais do Sodré)

É um dos mais recentes spots para ouvir poesia: a tasca Galegas (no nº 7 da travessa da Ribeira Nova), acolhe o projeto Galegas 7 da autoria do escritor Valério Romão e de Marta Raquel Fonseca. Aqui leem-se textos em prosa de poetas e de não poetas. Podem ouvir-se também romancistas, dramaturgos entre outros. Nestas noites “galegas” já se ouviu Sarah Kane, Manuel de Castro, Fernando Assis Pacheco. Cada sessão tem um ou mais convidados para fazer as leituras. Pelas 19h00, duas terças-feiras por mês.

Na  tasca Galegas leem-se textos de poetas e não poetas.
http://observador.pt/2015/12/22/beber-um-copo-vinho-ouvir-poesia-nova-forma-sair-noite/

sábado, 5 de setembro de 2015

Leitura de poemas e outros textos com ÁgoraGaia

Propostas de trabalho de texto



Estes pequenos vídeos, com leituras de poemas e alguns textos mais, foram produzidos para apoiarem o projecto «Escrita, uma forma de multiplicar os sentidos».
Muitos dos poemas que propomos não foram escritos para crianças. Mas são poemas sem idade, óptimos para dar a conhecer os seus autores. E se tivermos a habilidade de ensinar as crianças a gostar deles, desde cedo, evitando estragá-los com perguntas de interpretação que não vão além da extracção do acontecimento, talvez, mais tarde, voltem a estes autores à procura do mesmo entusiasmo [LER>>>]. Até porque, propostas de leituras dirigidas, essencialmente, às crianças, não faltam em muitos sítios da web.
Para a teorização destas propostas, consultar » » »
AFONSO CRUZ
  • Os livros que devoraram o meu pai >>>
  • O que cresce no Deserto >>>
  • "A contradição humana>>>
  • Livro do ano >>>
  • Livro do Ano II >>>
  
AGOSTINHO GOMES
  • E tudo ficou só e triste >>>
  • Perdida música >>>

ALBERTO PIMENTA
  • Exercício demonstrativo >>>
  • Todos os dias >>>
ALEXANDRE O'NEILL
  • Mar >>>
  • Gato >>>
  • A História da Moral >>>

ÁLVARO MAGALHÃES
  • Fala a preguiça >>>
  • Limpa Palavras >>>
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
  • No meio do caminho >>>
  • A palavra mágica >>>

CESÁRIO VERDE
  • Sentimento de um ocidental >>>

CECÍLIA MEIRELES
  • Todas as coisas têm nome >>>
  • O mosquito escreve >>>
  • O menino azul >>>
DANIEL FARIA
  • A Porta >>>
  • Explicação das árvores e de outros animais >>>

EUGÉNIO DE ANDRADE
  • Verão >>>
  • A sílaba >>>
  • Aquela nuvem >>>
  • Faz de conta >>>
  • Frutos >>>
  • Encosta a face à melancolia >>>
GONÇALO M. TAVARES
  • Mistério >>>
  • A prova na poesia >>>
  • Os braços >>>

JORGE DE SENA
  • Quem a tem  >>>
  • Epígrafe para a arte de furtar >>>

JORGE SOUSA BRAGA
  • O horizonte desapareceu >>>
  • Montanha >>>
  • A sensitiva >>>
  • Nuvem >>>
  • Cabril >>>
FERNANDO PESSOA
  • Natal >>>
  • Levava eu um jarrinho >>>
  • Deixa passar o vento >>
  • Para além da curva da estrada >>>
    JOSÉ AGOSTINHO BAPTISTA
    • Ele está sentado e olha para a folha vazia >>>
    • O Verão está no fim >>>

    MANUEL ANTÓNIO PINA
    • Uma história de dividir [Manuel António Pina]  >>>
    • Todas as palavras [Manuel António Pina]  >>>
    • O Livro >>>
    • A revolução das letras >>>
    • O país das pessoas de pernas para o ar >>>
    • Abdulum & Abduldois >>>
    • Gigões e Anantes >>>
    • A floresta das adivinhas >>>
    • O Têpluquê >>>

    MANUEL BANDEIRA
    • Poema tirado de uma notícia de jornal >>>
    • A onda >>>

    MARIA ALBERTA MENÉRES
    • As pedras >>>
    • Direcção >>>
    MÁRIO-HENRIQUE LEIRIA
    • Cata-vento >>>
    • Rifão quotidiano >>>

    MIGUEL TORGA
    • Segredo >>>
    • O brinquedo >>>

    NUNO JÚDICE

    • As cores do mar >>>
    • O que é a poesia >>>
    • Sem data >>>

    RUY BELO

    • Cinco palavras cinco pedras >>>
    • O valor do vento >>>
    • Algumas preposições com pássaros >>>

    SIDÓNIO MURALHA

    • Eu tenho um cão [>>>
    • Boa Noite >>>
    • A caminhada >>>

    SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

    • Inscrição >>>
    • Atlântico >>>

    OUTROS
    • POEMAS DE ABRIL>>>
    • António Nobre: Na praia lá da Boa Nova >>>
    • Antero de Quental: As fadas >>>
    • António Torrado: Bolacha Maria >>>
    • Bertolt Brecht: O tanque >>>
    • Carlos de Oliveira: Infância >>>
    • Cristina Malaquias: A ovelha negra >>>
    • E. M. Melo e Castro: Poesia visual >>>
    • Jacques Prévert: Para fazer o retrato de um pássaro >>>
    • João de Deus - A cigarra e a formiga>>>
    • José Eduardo Águalusa: A girafa que comia estrelas >>>
    • José Jorge Letria: O céu de chocolate >>>
    • José Tolentino Mendonça: Silêncio >>>
    • Luís de Camões: o dia em que nasci >>>
    • Mário de Sá-Carneiro: Quasi >>>
    • Matilde Rosa Araújo: Deveres >>>
    • Paulo Leminsky: Razão de ser >>>
    • Pedro Dinis: Vozes dos animais >>>
    • Pedro Oom: O coelhinho que nasceu numa couve >>>
    • Reinaldo Ferreira: Quero um cavalo >>>
    • Sebastião da Gama: Pequeno Poema >>>
    • Boletim Meteorológico >>>

    quinta-feira, 6 de agosto de 2015

    SÉCULO DE OURO – ANTOLOGIA CRÍTICA DA POESIA PORTUGUESA DO SÉCULO XX

    Século de Ouro. Antologia Crítica da Poesia Portuguesa do Século XX


    DESAPRENDER (COM) A HISTÓRIA
    Por Osvaldo Manuel Silvestre e Pedro Serra

    […] O livro intitula-se Século de Ouro, mas não apenas, já que a própria natureza do título (um topos retórico no domínio da periodização literária) pede o esclarecimento disponibilizado pelo subtítulo: Antologia Crítica da Poesia Portuguesa do Século XX. Comecemos por aqui: que antologia é esta que se define como «crítica»?
    Para começar, trata-se de uma antologia da poesia portuguesa do século XX, a primeira produzida já fora dos limites temporais do século e seguramente a mais ambiciosa que sobre a poesia portuguesa do século passado foi até ao momento elaborada. Contudo, esta não é mais uma antologia, já que a própria forma da antologia acaba por ser «criticada» pelo programa e funcionamento da obra. De que modos? É o que passaremos a ver.
    Numa descrição mínima, o livro consiste num conjunto de 73 poemas do século XX acompanhados de igual número de leituras desses poemas. O livro inclui pois, no seu resultado final, tanto os 73 poemas selecionados como os 73 ensaios escritos sobre eles4. O número 73 não recobre aqui propósitos pitagóricos. No início, aliás, o número não era esse mas 87, pois tal foi o número a que os organizadores chegaram quando elaboraram uma lista de pessoas convidadas a participar nesta obra. Significa isto que entre renúncias iniciais, desistências a meio de percurso ou (admitimo-lo) eventuais e banais problemas de comunicação, se chegou ao aleatório número de 73 colaboradores.
    Neste ponto, convirá esclarecer que para participarem no projecto, os organizadores seleccionaram um vasto painel de personalidades, de acordo com os seguintes critérios: 1) pessoas com obra feita na crítica literária e, mais especificamente, na crítica da poesia portuguesa do período em causa; 2) críticos jovens, com obras emergentes, cujas vozes é curial escutar num momento de transição e, por isso também, de balanço; 3) críticos portugueses a residir e trabalhar em Portugal ou no estrangeiro, bem como lusitanistas espalhados pelo mundo; 4) poetas a quem se propôs que, momentaneamente, «passassem para o outro lado», praticando, ainda que por uma vez sem exemplo} a crítica dos textos que mais os marcaram.
    Como em tudo o que tenha a ver com escolhas, os organizadores não têm dúvidas de que a sua lista de nomes seleccionados é eventualmente discutível; contudo, estão igualmente certos de que eventuais reservas ou críticas à lista de nomes não poderão ser mais do que pontuais, já que foi sua preocupação elaborar uma lista de natureza consensual. […]
    Seja como for, o referido dispositivo consistiu em propor aos colaboradores que, numa primeira fase, indicassem 3 títulos do corpus da poesia portuguesa do século XX. Recebidas essas escolhas, os organizadores analisaram-nas cuidadosamente, tendo em vista alguns modestos princípios organizativos: 1) o cunho desejavelmente representativo da antologia: assim, entre concentrar as escolhas em 7 ou 8 poetas (o que, não sendo inteiramente possível dada a variedade das escolhas dos colaboradores, poderia vir a ser o modelo reconhecível na obra, já que, para dar apenas um exemplo, Fernando Pessoa, só ele, concentrou um número significativo de escolhas) e alargá-las a um panorama representativo das várias tendências do século, optou-se por esta última solução; 2) a necessidade de traduzir, de algum modo, a concentração de escolhas em certos autores, atribuindo-lhes mais do que um poema, dentro de um princípio moderadamente estatístico e razoavelmente homogéneo na sua aplicação a todos os casos; 3) a necessidade de evitar repetições de poemas, o que conduziu várias vezes os organizadores a escolher um dos 3 poemas indicados por cada colaborador, sem respeitar a hierarquia proposta por estes, possibilidade aliás prevista desde o início e comunicada aos colaboradores na carta em que o projecto lhes foi apresentado.
    Atribuídos então os poemas aos colaboradores, num por vezes delicado deslindamento de cruzamentos e sobreposições, chegou-se à crucial segunda fase na qual os colaboradores deveriam elaborar um ensaio sobre o poema por eles escolhido. Esse comentário deveria ser de teor não-historicista, já que Século de Ouro foi desde o início pensado como uma obra que prescindiria das constrições nem sempre produtivas de uma perspectiva histórico-literária. […]
    Muito diversamente, com Século de Ouro. Antologia Crítica da Poesia Portuguesa do Século XX pretendeu-se produzir um livro em que a poesia acontece no cruzamento do texto e da sua exegese. A indiscutível riqueza e pluralidade das poéticas do século oficialmente encerrado é concomitante a um também multifacetado modo de olhar - de constituir, de usar - o objecto cultural que é um poema. Daí as regras do jogo propostas: predomínio da close reading, redução drástica do aparato erudito, leitura breve e (desejavelmente) intensa. Por outras palavras, apropriação: o próprio texto, o texto próprio, eu (?) próprio. […]
    A funcionalidade e o uso dos diferentes índices em Século de Ouro não são, ao contrário dos index paratextuais de outros livros, a garantia de que o leitor leu o volume todo. Ocupando o início e o fim do livro – respectivamente o «Índice Geral», por um lado, e o «Índice de poetas», o «Índice de ensaístas», o «Índice de poemas» por outro ‑ não suplementam o seu início ou fim. O «Índice Geral», sendo aquele que decalca a concatenação aleatória, é antes o reforço de um começo sempre adiado ou já irremediavelmente consumado. Quanto aos índices colocados no fim material do livro, não mimetizando a série antológica, funcionam como diferentes módulos de outras potenciais entradas aleatórias no livro. […]

    Ler mais: “Introdução”, “Biobibliografias” e “Índices”, Século de ouro – antologia crítica da poesia portuguesa do século XX, organização de Osvaldo Manuel Silvestre e Pedro Serra. Braga; Coimbra; Lisboa: Angelus Novus & Cotovia, 2002.
    __________________
    (4) Estes 73 ensaios correspondem a 47 poetas antologiados (49, se desdobrarmos Pessoa em Pessoa himself, Álvaro de Campos e Ricardo Reis).


    DEDUÇÃO CRONOLÓGICA DOS POEMAS:
    POETAS
    CRÍTICOS
    1900: [Pára-me de repente o Pensamento…]
    Ângelo de Lima
    Yara Frateschi Vieira
    1906: Elegia do Amor
    Teixeira de Pascoaes
    António Cândido Franco
    1913: VI. Dispersão
    Mário de Sá-Carneiro
    Antonio Sáez Delgado
    1915: Manucure
    Mário de Sá-Carneiro
    Ana Luísa Amaral
    1920: Ao longe os barcos de flores
    Camilo Pessanha
    José Carlos Seabra Pereira
    1920: Fonógrafo
    Camilo Pessanha
    Abel Barros Baptista
    1920: [Ó cores virtuais que jazeis subterrâneas]
    Camilo Pessanha
    Paulo Franchetti
    1922: Soneto já antigo
    Álvaro de Campos
    Miguel Tamen
    1924: [A flor que és, não a que dás, eu quero]
    Ricardo Reis
    António M. Feijó
    1924: [Ela canta, pobre ceifeira]
    Fernando Pessoa
    Arnaldo Saraiva
    1924: Xácara do Infinito
    Mário Saa
    Nuno Júdice
    1925: Libertação
    José Régio
    Eunice Ribeiro
    1932: Autopsicografia
    Fernando Pessoa
    Victor Mendes
    1933: Tabacaria
    Alvaro de Campos
    Luís Quintaú
    1934: O dos castelos
    Fernando Pessoa
    António Apolinário Lourenço
    1935: Apelo à poesia
    Carlos Queirós
    F. J. Vieira Pimentel
    1936: Outro dia
    Irene Lisboa
    Paula Morão
    1938: O canário de oiro
    Vitorino Nemésio
    Rosa Maria Goulart
    1944: [Esta velha angústia]
    Álvaro de Campos
    Ettore Finazzi-Agrà
    1944: [Grandes são os desertos e tudo é deserto]
    Álvaro de Campos
    Silvina Rodrigues Lopes
    1944: Magnificat
    Álvaro de Campos
    Robert Bréchon
    1951: Requiem (ao menino morto, eu próprio)
    Cristovam Pavia
    Fernando J. B. Martinho
    1952: Rêve Oublié
    António Maria Lisboa
    Carlos Veloso
    1954: Soneto de Eurydice
    Sophia de Mello Breyner Andresen
    Clara Rocha
    1955: [Ao desconcerto humanamente aberto]
    Jorge de Sena
    Maria Fernanda Alvito P. de S. Oliveira
    1957: You Are Welcome to Elsinore
    Mário Cesariny
    Perfecto E. Cuadrado Fernández
    1958: As palavras
    Eugénio de Andrade
    Carlos Reis
    1958: Um adeus português
    Alexandre O’Neill
    Luciana Stegagno Picchio
    1959: Quase 3 discursos quase veementes
    António José Forte
    Ruy Duarte de Carvalho
    1960: Fóssil
    Carlos de Oliveira
    Gustavo Rubim
    1960: Regresso de parte alguma
    Reinaldo Ferreira
    Eugénio Lisboa
    1961: Fonte
    Herberto Helder
    António Ladeira
    1962: Pátria
    Sophia de Mello Breyner Andresen
    Roberto Vecchi
    1962: VIII. A mão no arado
    Ruy Belo
    Luís Mourão
    1963: A morte, o espaço, a eternidade
    Jorge de Sena
    Luís Adriano Carlos
    1963: Poema de amor
    Edmundo de Bettencourt
    Maria Alzira Seixo
    1964: Todas pálidas, as redes metidas na voz.
    Herberto Helder
    Pedro Schachtt Pereira
    1964: [A menstruação quando na cidade passava]
    Herberto Helder
    Pedro Eiras
    1964: Um quadro de Brauner
    Luiza Neto Jorge
    Ana Sofia Ganho
    1965: [O navio de espelhos]
    Mário Cesariny
    José Ricardo Nunes
    1966: Ácidos e óxidos
    Ruy Belo
    Manuel António Pina
    1966: Morte ao meio-dia
    Ruy Belo
    Vítor Manuel de Aguiar e Silva
    1966: Poema de uma viagem ao Porto e de uma partida para a Bélgica
    Vitorino Nemésio
    Rita Patrício
    1967: A casa do mundo
    Luiza Neto Jorge
    Maria Andresen de Sousa Tavares
    1967: Primeiro septeto
    Ruy Cinatti
    Joana Matos Frias
    1968: Árvore
    Carlos de Oliveira
    Rosa Maria Martelo
    1969: Em Creta, com o Minotauro
    Jorge de Sena
    K. David Jackson
    1969: O preto no branco
    Rui Knopfli
    Eduardo Pitta
    1969: Os ovos d' oiro
    Armando Silva Carvalho
    Pedro Serra
    1970: Canção cuneiforme (antes e depois de lhe dar o bicho)
    Alberto Pimenta
    Marta Irene Ramalho
    1973: Sextina III ou Canção do próprio canto
    David Mourão-Ferreira
    Marcia Arruda Franco
    1976: Em louvor do vento
    Ruy Belo
    Eduardo Lourenço
    1976: Leitura
    Carlos de Oliveira
    Manuel Gusmão
    1977: A imagem que conduz ao corpo
    António Ramos Rosa
    Rui Magalhães
    1977: Sobre esta praia I
    Jorge de Sena
    Jorge Fazenda Lourenço
    1978: [De luas ou de trigos busco o nome]
    Pedro Tamen
    Patrick Quillier
    1978: [Quando eu vir vaguear por dentro da casa]
    Fiama Hasse Pais Brandão
    Gastão Cruz
    1978: Tat Tam Asi
    Manuel António Pina
    Américo António Lindeza Diogo
    1982: Ignição
    António Osório
    Pedro Mexia
    1987: Canção do ano 86
    Fernando Assis Pacheco
    Fernando Pinto do Amaral
    1989: Matadouro
    Luís Miguel Nava
    Carlos Mendes de Sousa
    1993: Aconteceu-me
    Almada Negreiros
    Fernando Cabral Martins
    1993: Poema 16 [de Dos Jogos de Inverno]
    António Franco Alexandre
    João Barrento
    1997: Trabalho de casa
    Nuno Júdice
    Margarida Braga Neves
    1998: O excesso mais perfeito
    Ana Luísa Amaral
    Fátima Freitas Morna
    1999: a viagem de verão
    Vasco Graça Moura
    Fernando Matos Oliveira
    1999: Dois ciprestes
    Adília Lopes
    Fernando Guerreiro
    1999: Mulher com filho ao colo, em Dezembro
    A. M. Pires Cabral
    M. Corbo Alvarez
    2000: [Escrevo do lado mais invisível das imagens]
    Daniel Faria
    Alcir Pécora
    2000: Árvores
    Gastão Cruz
    Osvaldo Manuel Silvestre
    2000: As cinzas de Lenine
    Fernando Guerreiro
    Peter Sanmartinho
    2000: Sumário Lírico
    Fiama Hasse Pais Brandão
    Jorge Fernandes da Silveira
    2001: «A Perfeição das Coisas» ‑
    Manuel Gusmão
    Helena Buescu




    editora angelus novus
    Entrevista com Osvaldo M. Silvestre e Pedro Serra sobre Século de Ouro
    P. A «vossa» antologia parte duma tese, acolhida no próprio título, segundo a qual o século XX português foi um período áureo. Essa tese, como lembram na «Introdução», vem sendo defendida por pessoas como Eugénio de Andrade, Óscar Lopes ou Vítor M. de Aguiar e Silva. Curiosamente, o livro não discute esta tese, no local onde seria curial fazê-lo: a «Introdução». Estão assim tão certos dela que dispensem debatê-la? A não ser essa a razão do vosso silêncio, qual é ela?
    R. O que Século de Ouro propõe é justamente que discutir é produtivo, não pela sua tematização desde quaisquer mansardas — por exemplo, lugares como «introduções» —, mas sim na prática da leitura. Todo e cada um dos poemas e ensaios incluídos é bastante discussão do «século de ouro». Dito de outro modo, o sintagma — muito instável e contingente — constituído pelos pares poema/ensaio é a versão «retórica» dessa tese. O que o volume propõe é fazer dessa discussão uma discussão a haver. O importante é ter presente que a massa textual que foi deixando rasto material durante esse intervalo de tempo a que podemos chamar «século XX», tem vindo a galopar para um amorfo indiferenciado, e enquanto tal sem valor. O verdadeiro «século de ouro» é o futuro contido nessa massa (admitimos que ela o contenha, e isso nos parece bastante), cujo resgate é o imperativo que se nos coloca.
    Século de Ouro existe como solicitação de um futuro de diferenciações e discriminações, ou de uma escatologia arqueológica: uma escatologia que assumisse todas as consequências interpretativas de um tempo (que são vários tempos: o da poesia, o da crítica, o da leitura, mas sobretudo o da desleitura) inevitavelmente, mas também programadamente, fora dos eixos. Por outras palavras, este é um livro habitado por muitos livros e debates, na medida em que propõe e vive de uma discrepância entre o «século XX» (os vários séculos XX) e o século de ouro que vai lendo, como um telecomando em zapping, aquele menu que nem sempre, aliás, se acomoda ao telecomando.
    P. Um outro aspecto inesperado é a ausência, que supomos deliberada, de um «tratamento estatístico» dos dados obtidos, no que toca quer às presenças (o «Top of the Pops») quer às ausências. Por exemplo, será pertinente não dedicar sequer uma palavra a ausências tão flagrantes como as de Miguel Torga (o primeiro Prémio Camões, relembre-se), Saúl Dias, Raul de Carvalho, Nuno Guimarães, Joaquim Manuel Magalhães (o poeta) e João Miguel Fernandes Jorge, etc.? Ou para as ausências de críticos como Eduardo Prado Coelho e Joaquim Manuel Magalhães? Ou para a derrota histórica do neo-realismo, não redimida pela presença firme de Carlos de Oliveira? Ou para a correlata vitória histórica do surrealismo?
    R. As regras do jogo não consideravam que houvesse, a priori, lugares cativos. É claro que se pedia «ouro» do «século» que, não sendo absolutamente abundante — de outro modo deixaria o ouro de ter valor —, determinava a inevitável presença de alguns indiscutíveis. Seja como for, o modelo antológico proposto retira ansiedade às ausências, já que desresponsabiliza escolhas e escolhedores (estes fizeram o que puderam com o pouco alcance do seu naipe de decisões) e mais ainda organizadores, que naqueles delegaram inteiramente as escolhas. De resto, elas são inevitavelmente significativas. Há notoriamente poetas pouco lidos e que urge ler mais, por exemplo. Por outro lado, pediu-se aos colaboradores que escolhessem poemas e não poetas. Isto significa que a questão a colocar é também a de saber se o poeta X ou Y se acha bem representado. Nos casos em que não estejam — se é que os há —, talvez se possa dizer que era melhor não terem sido representados de todo. Século de Ouro propõe-se «antologia» pouco apocalíptica (daí a ideia antes referida de uma «escatologia arqueológica»). O aleatório que variamente o «estrutura» não permite aliás dramatizar aquilo que não é senão um jogar de dados.
    Isto significa que ausências/presenças devem ser tomadas por aquilo que são: resultado da pura contingência (imperativo daquilo que «serve», que sempre pressupõe algo de «servil»). Quanto aos críticos mencionados, a sua não-presença foi determinada pelos próprios críticos, logo não se trata de ausências. Vitórias e derrotas «históricas» não chega também a haver, pois um tal saldo só seria contabilizável se, justamente, nos situássemos no fim dos tempos de um juízo final. Como é inevitável, a este outros se sucederão, pelo que é cedo (é sempre cedo) para decidir de vencedores ou perdedores. Este não é um jogo de 90 minutos, nem mesmo de um século. Mais do que isso, é um jogo em que o objectivo não é ganhar — ou então é apenas «ganhar tempo» para novos jogos.
    P. Esta «Antologia Crítica da Poesia Portuguesa do Século XX» é um trabalho que assume declaradamente a ruína da historiografia literária moderna, para se propor como a antologia possível numa era de contingência pós-histórica. Sendo assim, que papel crítico poderá ser o da crítica que lhe dá título? 
    R. A «crítica» que Século de Ouro propõe não visa imediatamente a representatividade. Assim, pelo modo como se configura, ela parte do pouco representativas que a poesia e a crítica de poesia são nos dias de hoje. O que cada letra impressa no livro vai solicitando é que se interrogue a sua necessidade: sem tal iminência de crise não teria sentido. Isto pode querer significar — sujeitemos esta possibilidade a uma futura discussão — que a «crítica» implicada pelo subtítulo se levanta não sobre um modelo «narrativo» da crítica (o da Modernidade), mas sim sobre um modelo «poético». Ou então sob o signo da «constelação»: uma série não coincidente, e de coalescência problemática, de práticas (críticas) que nem sempre são rumos, ou são-no segundo uma (pro)pulsão caótica, e pelo menos babélica. Contudo, esta constelação que «critica» — decerto involuntariamente — a narrativa heróica da crítica moderna, assume-se ainda como moderna o bastante, já que parte de uma posição (aliás imposta previamente) de emancipação dos materiais em relação a qualquer determinação historicista ou humanista: os críticos que na obra colaboram não questionam (a não ser pontualmente) a orientação para a close reading, e praticam-na com a naturalidade de quem reconhece na linguagem um universo, e um problema, suficientemente mobilizador.
    O ponto crítico da obra reside talvez na constelação de exercícios de leitura que, à primeira vista esvaziados de historicidade pela imposição da close reading, se volvem, na sua disposição desprogramada, uma poderosa crítica das ilusões do historicismo, na medida em que somam à História da Poesia Portuguesa do século XX um conjunto, talvez finito mas alargado, de novas histórias por contar. Esta soma, contudo, desacrescenta, já que vai justapondo possibilidades de conflito. Uma espécie de versão crítica de um livro do desassossego, se nos é permitida a pretensão.
    P. O clima que promoveu a «suspensão deliberada de categorias históricas» referida pelos editores, tem vindo a produzir objectos novos no território antes ocupado pela História da Literatura. São movimentações diversamente visíveis, por exemplo, na lógica fragmentada De la littérature française, de Denis Hollier ou no citado H. U. Gumbrecht de 1926. Poderá (ou desejará) a presente «Antologia» patrocinar ente nós uma tal alteração epistémica no âmbito dos estudos literários?
    R. O logos fragmentário do Século de Ouro — sobretudo o assumi-lo em consciência — é produtivo, gera um objecto que, pensamos, de modo bastante razoável põe a circular uma imagem do século XX. Não uma suma ou uma solução do século mas, digamos, um seu fantasma (um seu inconsciente). A questão dessa produtividade é a de que não aspirar à representação de si é uma opção eficaz de representação (talvez pós-moderna). Neste sentido, tal coisa como um «patrocínio» de si no panorama dos estudos literários, sendo uma possibilidade, não é um desiderato. O que Século de Ouro assume plenamente, e desde os seus próprios fundamentos, é a contingência de uma eventual autoridade. Significa isto que a «exemplaridade» desta obra, a haver, será talvez da ordem do único e do aberrante, obviamente não reivindicados.
    Uma obra como Século de Ouro não contém nem poderia pois conter em si um programa gerativo ou software para «mutações epistémicas», já que se trata de uma obra a vários títulos excepcional e fruto de um conjunto de circunstâncias felizes, provavelmente irrepetíveis. Não nos seduz a sugestão romântica de um cânone de únicos; e menos ainda a de patrocinar «mutações epistémicas» numa disciplina em que, decisivamente, «epistemologia» é nome de um género literário (um tanto como «filosofia», na versão de Rorty). Quanto a eventuais consequências, «Depois verá-se», como dizia um catedrático de uma das nossas universidades.
    P. Século de Ouro propõe uma intensa reflexão sobre o genus antológico que é chamado a revitalizar o olhar historicizante sobre a poesia portuguesa do século XX. Muito descrendo no modelo de «história» tradicional, essa como que necessária antologização do passado — o gesto intrinsecamente crítico proposto — faz-se de modo a fazer desse passado uma história que, como a verdade para Lessing, seja mais «filantrópica»? Isto é, mais humana, ou mais à escala das vidas humanas? Por outro lado, de que húmus parte esse imperativo de uma história crítica: de um peso cultural excessivo daquela «história» tradicional, da sua desfundamentação ou, talvez, da sua inexistência no que toca ao intervalo e género (poético) em causa?
    R. O modo antológico opera por selecção. O que vemos na poesia portuguesa do século XX é que ela própria foi vivendo mesmerizada pela sua própria História (de modo mais ou menos explícito). A história que foi, deste modo, perfazendo não é absolutamente aproveitável. É o excesso de Musas que a sobre-vivência das Musas tem que gerir politicamente. A obsolescência deste ou daquele poeta não significa que não tenha acertado o alvo de vez em quando. É uma história desses acertos que nos pode servir. E o mesmo vale, evidentemente, para os modos da crítica e dos críticos. Será necessário todo o Pessoa para fazer dele a necessária interpelação em nós? Este modo antológico que faça história e faça cânone é um problema, ou justamente pretende argumentar que não haver interpelação é não haver problema. Em tempos, Almada Negreiros, entrando numa biblioteca, ironizava sobre a impossibilidade de ler todos os livros nela contidos. Essa ansiedade do todo não é crítica, nem humana. É bem mais «filantrópica» a moderada confiança de que não é necessária toda a biblioteca de poetas portugueses do século XX, nem toda a obra de cada um deles. O horizonte de um indivíduo ou uma comunidade que fizessem consciência dessa soma total é um belo tropo da Morte (ou de Deus…). Por outras palavras, uma antologia «lê-se», na exacta medida em que «dá a ler». Essa medida, contudo, é de exactidão problemática, já que a antologia pode tender ao monstruoso de um século, um milénio, uma cultura (um tema) ou uma geografia.
    É nossa convicção que Século de Ouro, porque dá a ler, e porque desiste à partida do Todo que a antologia não pode ser (mas por que tantas vezes anseia), é uma obra que se lê, no sentido duplo e infindável da expressão. Nesse sentido em que, justamente, o século de ouro vive da ponderação crítica do seu peso (em ouro), ponderação essa a realizar pelos leitores após o exercício inicial delegado nos críticos. Este exercício de reduplicação da prática antológica não tem talvez fim, mas opera fatalmente por estreitamento, na lógica do programa do título: uma decantação de que resulta um punhado de grãos de ouro — alguns poemas portugueses do século XX, talvez não todos os aqui antologiados, talvez (sigamos o devir da antologia) nem estes aqui antologiados.
     

    https://angnovus.wordpress.com/ligacoes/entrevistas/entrevistas-6/


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         «Críticas a “Século de Ouro" "revelam pulsões censórias"», Luís Miguel Queirós. Público, 2003-02-01.