quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Gloomy Sunday («Domingo Sombrio» ou «Domingo Lúgubre»)

Szomorú Vasárnap száz fehér virággal,
Vártalak, kedvesem, templomi imával,
Álmokat kergető vasárnap délelőtt,
Bánatom hintaja nélküled visszajött.
Azóta szomorú mindig a vasárnap,
Könny csak az italom, kenyerem a bánat...
Szomorú vasárnap.
Utolsó vasárnap, kedvesem, gyere el;
Pap is lesz, koporsó, ravatal, gyászlepel,
Akkor is virág vár, virág és - koporsó,
Virágos fák alatt utam az utolsó.
Nyitva lesz szemem, hogy még egyszer lássalak,
Ne félj a szememtől, holtan is áldalak...
Utolsó vasárnap.
On a sad Sunday with a hundred white flowers,
I was waiting for you, my dear, with a church prayer,
That dream-chasing Sunday morning,
The chariot of my sadness returned without you.
Ever since then, Sundays are always sad,
tears are my drink, and sorrow is my bread...
Sad Sunday.
Last Sunday, my dear, please come along,
There will even be priest, coffin, catafalque, hearse-cloth.
Even then flowers will be awaiting you, flowers and coffin.
Under blossoming (flowering in Hungarian) trees my journey shall be the last.
My eyes will be open, so that I can see you one more time,
Do not be afraid of my eyes as I am blessing you even in my death...
Last Sunday.


Szomóru Vasárnap é a música que abreviou a vida de muitos ouvintes. Traduzida em várias versões, corresponde a Gloomy Sunday na versão inglesa. Rezsõ Seress, compositor e pianista húngaro, deparou-se com a controvérsia e efeitos adversos da sua própria criação.
Segundo reza a história, Rezsõ Seress foi um compositor húngaro que falhou. Falhar também faz parte do processo de criação. Seress viveu a maior parte da sua vida em Budapeste e sonhava tornar-se num compositor famoso. Intransigente e convicto dos seus objetivos, brigava constantemente com a sua namorada. Esta não conseguia aguentar a insegurança de uma vida ambiciosa. Os insucessos vividos pelo compositor e o término da relação do casal fizeram com que, certo domingo, Rezsõ observasse a janela. O céu cobriu-se em tons de cinza e a tempestade revelou os rabiscos do que viria a ser o Domingo Sombrio.
It is autumn and the leaves are falling All loved has died on earth The wind is weeping with sorrowful tears My heart will never hope for a new spring again My tears my sorrows are all in vain People are heartless, greedy and wicked..”
Esta seria a letra original que embalou Seress de forma melancólica em 1933 (traduzida em Inglês). A letra foi reescrita (em húngaro) pelo seu amigo Lázlo Javor que contribuiu para uma melhoria do valor artístico da letra quando traduzida. Seja qual for a língua, os sentimentos de desespero e tristeza são universais.
Gloomy Sunday conta a história de um homem que declara que a única prova de ser devoto ao seu amor (que recusa acreditar nos seus sentimentos) é abreviando a sua vida num domingo sombrio.
Seress contactou a primeira editora para publicar a sua música. Rejeitado. Voltou a tentar outra editora. Aceite. Ficou entusiástico.
Nada fazia antever que, dias depois, surgisse uma sucessão de suicídios com o ressoar da melodia, como se de um último grito se tratasse. Seress, numa tentativa de pedido de reconciliação à sua namorada, verifica que esta se tinha envenenado, transportando consigo uma cópia de Gloomy Sunday. Questionado pelos efeitos da sua música, o músico responde:
Estou no meio deste sucesso mortífero como um homem sendo acusado. Esta fama fatal magoa-me. Chorei todas as decepções do meu coração nesta canção e parece que outros, com o mesmo sentimento que eu, encontraram nela a sua própria dor”.
Segundo o New York Times (1968), pouco depois de completar os seus sessenta e nove anos Seress suicidou-se, saltando de uma janela. A influência da música no aumento do número de suicídios fez com que a sua transmissão fosse proibida pelos chefes da BBC. Nos Estados Unidos, algumas estações de rádio e discotecas adoptaram o mesmo boicote.
Terá a música Gloomy Sunday todo este valor epidémico ou será uma mera coincidência? Comvém não esquecer que em 1930 assiste-se à Grande Depressão. Terá o Domingo sombrio sido abafado pela segunda e terça feira negra em que se verifica um incremento da taxa de suícidios e falência/desespero de acionistas com a queda da Bolsa de Valores? Serão os efeitos de uma recessão económica, elevadas taxas de desemprego, quedas do PIB – próprios da Grande Depressão? Repare-se: um cenário muito próximo do vivido atualmente!
A música em húngaro poderá ser escutada nesta página do Youtube.


© Portishead (Wikicommons: José Goulão).


© Sarah McLachlan (Wikicommons: Stephen Samuel).

Portishead, Sarah Mclachlan, Billie Holiday , Bjork, Emilie Autumn e Sarah Brightman são alguns cantores que homenageiam Seress com as suas versões da atualidade.

Gloomy Sunday
Sunday is gloomy, My hours are slumberless Dearest the shadows I live with are numberless Little white flowers Will never awaken you Not where the black coach of Sorrow has taken you Angels have no thought Of ever returning you Would they be angry If I thought of joining you?

Gloomy Sunday
Gloomy is Sunday, With shadows I spend it all My heart and I Have decided to end it all Soon there’ll be flowers And prayers that are said I know Let them not weep Let them know that I’m glad to go Death is no dream For in death I’m caressin’ you With the last breath of my soul I’ll be blessin’you

Gloomy SundayDreaming, I was only dreaming I wake and I find you asleep In the deep of my heart, dear Darling I hope That my dream never haunted My heart is tellin’ you How much I wanted you Gloomy Sunday


© Billie Holiday (Wikicommons)


Billie Holiday gravou sua versão de “Domingo Sombrio” em 1941:

Sunday is gloomy, my hours are slumberless;
Dearest, the shadows I live with are numberless;
Little white flowers will never awaken you,
Not where the black coach of sorrow has taken you;
Angels have no thought of ever returning you;
Would they be angry if I thought of joining you?
Gloomy Sunday.

Gloomy is Sunday; with shadows I spend it all;
My heart and I have decided to end it all;
Soon there'll be candles and prayers that are sad, I know,
Let them not weep, let them know that I'm glad to go.

Death is no dream, for in death I'm caressing you;
With the last breath of my soul I'll be blessing you.
Gloomy Sunday.

Dreaming, I was only dreaming;
I wake and I find you
Asleep in the deep of my heart, dear.

Darling, I hope that my dream never haunted you;
My heart is telling you how much I wanted you.
Gloomy Sunday.
  

© Bjõrk (Wikicommons: Cristiano Del Riccio).

Domingo Sombrio
O domingo é sombrio/obscuro As minhas horas são despertas (sem sono) Queridas são as inúmeras sombras Com as quais convivo Pequenas flores brancas Nunca te acordarão Nem onde o coche negro Da dor te levou Os anjos não pensam Alguma vez em te devolver Ficariam eles zangados Se pensasse juntar-me a ti?

Domingo sombrio
O domingo é sombrio Com sombras, eu despendi de tudo O meu coração e eu Decidimos acabar com tudo Em breve haverá flores E orações que dizem saber Não as deixem chorar Deixem saber Que estou feliz por partir A morte não é um sonho Na morte eu te acarinho Com o último suspiro da minha alma Eu te abençoarei

Domingo sombrio
Sonhando Eu estava apenas sonhando Acordo e encontro-te a dormir No fundo do meu coração Querida, eu espero Que o meu sonho nunca te assombre O meu coração revela O quanto eu te quis Domingo Sombrio


© Emilie Autumn (Wikicommons: Jan Blok).


© Sarah Brightman (Wikicommons: Sherry Main).


Este foi o som da morte. Pelo menos para a BBC

Nos anos trinta, um pianista húngaro compôs uma canção sobre amor e morte. A partir daí, vários suicídios estiveram associados à obra, levando a BBC a bani-la dos ecrãs até 2002.

Lá, sol, lá, sol, sol, fá, mi. “Sombrio é o domingo, gasto-o todo com sombras. O meu coração e eu decidimos acabar com tudo isso”. 
Estes são os primeiros acordes da música composta em 1933 pelo pianista húngaro Rezso Seress e fala sobre o desgosto de um homem abandonado pela mulher que ama e que pondera matar-se. Uma história triste, com certeza, mas sabia que a BBC a proibiu por 61 anos porque provocaria suicídios em massa?

Tudo começou com uma partitura composta por Rezso Seress chamadaVége a Világnak, que se traduz para português como “o mundo acabou-se”, conta o El País. Era uma canção demasiado forte, por isso a letra foi repensada: a melodia passou a acompanhar um poema de Lászlo Jávor chamado Szomorú Vsárnap, isto é, “domingo sombrio”. Foi esta a versão que veio a público em 1935, com a voz de Pal Kalmar a cantar“num triste domingo com centenas de flores brancas, eu estava à tua espera, minha querida, com uma oração”.
Podia ser uma música melancólica, mas tornou-se mais do que isso no ano seguinte ao lançamento, quando a Time noticiou uma onda de suicídios na Hungria relacionados com “Gloomy Sunday”. Começou com um sapateiro, Joseph Keller, que a polícia teria encontrado morto junto a um bilhete onde tinha escrito alguns versos daquela canção. Depois, no rio Danúbio, vários corpos teriam sido vistos a boiar com a partitura da música nas mãos. E dois outros suicídios, perpetrados com arma de fogo, também estiveram associados a “Gloomy Sunday”.
Ainda na década de trinta, a imprensa norte-americana deu conta que a onda de suicídios já tinha chegado aos Estados Unidos. Nesta altura, a canção já era conhecida como “canção húngara do suicídio”, mas tornou-se mais famosa quando a estrela do jazz Billie Holiday a cantou. A partir daí, 19 suicídios teriam acontecido depois de as vítimas terem ouvido “Gloomy Sunday”. A BBC decidiu, então, tomar medidas extremas: a “canção húngara do suicídio” passou a ser proibida na programação. A censura começou em 1941 e esteve em vigor até 2002.
O mistério prosseguiu: uns acreditavam piamente que aquelas mortes tinham sido provocadas pela canção de Rezso Seress, que em 1968 se suicidou enforcando-se com um arame, depois de ter tentado o suicídio atirando-se de uma janela. Nesse ano, o cantor escolhido para interpretar “Gloomy Sunday” – na altura considerado o Rei do Tango – perdeu a voz depois de uma operação à garganta. Ainda assim, muitos continuavam céticos sobre a relação entre uma e outra coisa.
Quarenta anos depois de o criador da canção ter morrido, dois investigadores lançaram um artigo sobre o assunto na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos. Nele escreveram que não descobriram uma relação de causa-consequência entre a audição da música e a tendência para o suicídio, nem conseguiram dados suficientes para averiguar se tinha havido um aumento no número de suicídios nos anos 30. Mas fazem uma ressalva: caso o número de pessoas que se mataram com as próprias mãos tenha aumentado nesse período, era possível que tal se tivesse devido ao panorama que a Europa vivia naquele momento – com a ascensão do nazismo. 
Ao longo da História, nem só o heavy metal esteve relacionado com uma suposta tendência para o suicídio: foi o caso de Efeito Werther, uma obra de Johann Wolfgang von Goethe, que terá causado uma onda de mortes no século XVIII. Mas os especialistas sublinham que o poder da música pode fazer-se sentir, não porque esta tem uma natureza fantasmagórica, mas antes porque pode haver uma queda para comportamentos suicidas nas pessoas que escutam a canção. 
http://observador.pt/2015/10/30/som-da-morte-pelo-menos-bbc/



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