quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

AUSÊNCIA

Praia dos Moinhos, 2009, José Carreiro ©
     
À luz gelada do amanhecer
ele toma a direcção da praia
a força do mar arrima-o um pouco
ao imo prestado pelos elementos
observa a fúria da areia que voa
açoita a cara empurrando-o
a procurar abrigo.
Sim, que ausência.
    
Rolam tumultuosas mas lentamente
as letras para sua própria ordem
por imposição incendiária de montanhas
de rios e de cidades.
Sim, muitos deixam as ilhas
areias cristais e buscam continuamente
forma onde repousar.
    
– Sim, dir-me-ás tudo isso
mas eu não sei o que quero nem o que faço
para que tudo se represente igual sempre igual a si mesmo.
     
      
poema dito por Olegário Paz ¯



praia da Ribeira Quente, 2006, José Carreiro ©




 [Post original: http://comunidade.sol.pt/blogs/josecarreiro/archive/2010/02/11/ausencia.aspx]
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