quarta-feira, 10 de outubro de 2012

EM VIAGEM (Antero de Quental)


   ANTERO DE QUENTAL, por Urbano, Coleção Escola Secundária Antero de Quental
        
        
EM VIAGEM

Pelo caminho estreito, aonde a custo
Se encontra uma só flor, ou ave, ou fonte,
Mas só bruta aridez de áspero monte
E os sóis e a febre do areal adusto,

Pelo caminho estreito entrei sem susto
E sem susto encarei, vendo-os defronte,
Fantasmas que surgiam do horizonte
A acometer meu coração robusto...

Quem sois vós, peregrinos singulares?
Dor, Tédio, Desenganos e Pesares...
Atrás deles a Morte espreita ainda...

Conheço-vos. Meus guias derradeiros
Sereis vós. Silenciosos companheiros,
Bem-vindos, pois, e tu, Morte, bem-vinda!
          
Antero de Quental
        


        
        
1. Atente no percurso do eu.

1.1. Precise o sentido do adjetivo em «caminho estreito».

1.2. Saliente a disforia da linguagem na caracterização desse percurso.

1.3. Trata-se de um caminho sem «flor, ou ave ou fonte». Que significado atribui a este facto?

1.4. Explique o emprego da maiúscula nos vocábulos do verso 10.

2. Que papel se confere à Morte no poema?

3. «Viagem» é uma metáfora de quê?
           
Ser em Português 12ºA (coord. A. Veríssimo, Areal Ed.,1999).
           
        
        
SUGESTÕES DE LEITURA
        
 Apresentação crítica, seleção, notas e sugestões para análise literária de textos de Antero de Quental, por José Carreiro. In: Lusofonia – plataforma de apoio ao estudo da língua portuguesa no mundo, 2021 (3.ª edição) <https://sites.google.com/site/ciberlusofonia/PT/Lit-Acoriana/antero-de-quental>



[Post original: http://comunidade.sol.pt/blogs/josecarreiro/archive/2012/10/10/em.viagem.aspx]

terça-feira, 9 de outubro de 2012

AD AMICOS (Antero de Quental)

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AD AMICOS1
     
Propter solatium2
        
Renasço, amigos, vivo! Há pouco ainda
Disse ao viver: 
«Afunda-te no nada!»

E já, bem vedes, surjo à luz dourada,
‑ No lábio o rir, no peito esp'rança infinda!

Ah, flor da vida! flor viçosa e linda!
Envolto na mortalha regelada
Do só pensar ‑ perdão! ‑ foste olvidada...
Flor do sentir e crer e amar... bem vinda!

A vida! como a sinto, ardente, imensa!
Não única! tomando a imensidade!
Livre! perante Deus surgindo forte!

Que amor! que luz! que pira vasta, intensa!
Plenitude! harmonia! realidade!
Mas melhor que tudo isto é sempre a morte!
         
(1859 a 1863)
Antero de Quental, Raios de Extinta Luz
           
_________________
Expressão latina: «Aos amigos».
Expressão latina: «Para (vossa) consolação».
        
           
              
1. Demonstre, com expressões do poema, que quase todo ele (13 versos) constitui um cântico de exaltação da vida.
2. O último verso do poema poderá considerar-se uma conclusão lógica do soneto? Justifique a sua resposta.
3. Delimite as duas partes em que o poema se divide e confirme que elas se relacionam antiteticamente.
       
António Afonso Borregana, Antero de Quental. O Texto Em Análise - Ensino Secundário, Lisboa, Texto Editora, 1998
          
        
                        Geração de 70 
          
            
AD AMICOS

Em vão lutamos. Como névoa baça,

A incerteza das coisas nos envolve.
Nossa alma, em quanto cria, em quanto volve,
Nas suas próprias redes se embaraça.

O pensamento, que mil planos traça,
É vapor que se esvai e se dissolve;
E a vontade ambiciosa, que resolve,
Como onda entre rochedos se espedaça.

Filhos do Amor, nossa alma é como um hino
À luz, à liberdade, ao bem fecundo,
Prece e clamor dum pressentir divino;

Mas num deserto só, árido e fundo,
Ecoam nossas vozes, que o destino
Paira mudo e impassível sobre o Mundo.
        
Antero de Quental, Sonetos Completos
           
                 
1. Indique de que forma os sonetos transcritos confirmam (ou não) esta afirmação de Vitorino Nemésio: «[…] a dificuldade ao abeirarmo-nos deste homem genial [Antero]reside na contradição aparente do seu espírito, tão depressa elevado a  uma esfera de doce conformidade como abatido a um abismo enegrecido de desesperos».
2. Justifique o emprego da conjunção adversativa no verso 12.
3. Saliente a expressividade da comparação e da metáfora.
           
Ser em Português 12ºA (coord. A. Veríssimo, Areal Ed.,1999).
           
        
        
PERFIL BIOGRÁFICO, CULTURAL E LITERÁRIO
           
O poeta e filósofo Antero Tarquínio de Quental, português nascido em Ponta Delgada, capital dos Açores, na ilha de São Miguel a 18 de abril de 1842, revolucionou o contexto literário e político da sociedade coeva, plena de um Romantismo decadente.
Em 1852 segue para Lisboa, junto à mãe Ana Guilhermina da Maia para estudar no colégio Pórtico, na época dirigido pelo poeta António Feliciano de Castilho.
Quatro anos depois encerra os estudos preparatórios para entrar na Universidade de Coimbra, e escreve seus primeiros versos (mais tarde publicados nas revistas literárias: Prelúdios LiteráriosO Académico O Fósforo). Cursando Direito, em 1858 participa da Sociedade do Raio, grupo secreto que trará os nomes de: José e Alberto Sampaio, António Azevedo Castelo Branco, João de Sousa Avelino, entre outros também estudantes ávidos por mudanças naquele meio académico.
Além de escrever folhetos e textos para os jornais da Universidade, tem, em 1861, publicado os seus primeiros Sonetos, prefaciados por João de Deus, poeta e amigo do jovem (a quem dedicou o artigo ―”A propósito de um poeta”).
A partir de 1865 cresce a sua produção e atuação escrita e política na sociedade portuguesa, em que destacamos: o opúsculo Defesa da Carta Encíclica de Sua Santidade Pio IX contra a chamada opinião liberal, louvando a figura do Papa antiliberal e antiprogressista; a 1.ª edição das Odes Modernas (dedicada ao dileto amigo Germano Meireles); a divulgação da carta destinada a Castilho, intitulada Bom Senso e Bom Gosto, polemizando e gerando a Questão Coimbrã (revolucionando o meio intelectual e literário); e o folheto A Dignidade das Letras e As Literaturas Oficiais. Nesse mesmo ano o poeta destrói algumas poesias sentimentais.
No ano seguinte viaja a Paris com dois intuitos: oferecer um exemplar das Odes, para Michelet e trabalhar como tipógrafo, passando por lá cerca de cinco meses, e voltando desiludido, já com sintomas de um mal que o acompanharia por toda a vida: os problemas físicos que o levariam a quadros de depressão e angústia.
Em 1868, já na cidade de Lisboa, após ter passado um ano em São Miguel, participa do Cenáculo, grupo que defendia as ideias de uma República Federal Ibérica, com as figuras históricas de Eça de Queiroz, Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão, entre outros.
Passados os anos, em 1871 inaugura as Conferências do Cassino, logo proibidas pelo governo, por seu teor ‘subversivo‘, proferindo na conferência o texto ―As causas da decadência dos povos peninsulares nos últimos séculos”.
E, para aliviar os males do corpo e os problemas familiares, dedica-se ao estudo das línguas, da literatura comparada e da filosofia, além de iniciar uma tradução do Fausto de Göethe.
No ano seguinte, publica as Primaveras Românticas — Versos dos vinte anos e o folheto político O que é a Internacional, de cunho socialista.
Seu pai Fernando de Quental falece no outro ano, justamente quando o poeta retornara à ilha natal.
Em 1875 sai a segunda edição das Odes (contendo treze novos poemas, substituindo alguns eliminados, que estavam na primeira edição), mas em contrapartida suas crises aumentam. O que, no ano posterior é agravada com o falecimento da mãe. Seguem os anos... dividindo as dores e tempestades psicológicas, com as visitas dos amigos, principalmente Oliveira Martins, companheiro sempre presente, inclusive evitando, em 1879, a primeira tentativa de suicídio do poeta, ao tirar de suas mãos o revólver com que tentara se matar.
Em 1881, retorna à Vila do Conde, desejando buscar ares melhores para viver, porém as alegrias são poucas, entre elas a publicação dos Sonetos, pela Biblioteca Renascença.
É no ano de 1885 que Antero inicia sua preciosa amizade epistolar, mais tarde pessoal, com a filóloga Carolina Michaëlis de Vasconcelos, basilar para a divulgação dos seus versos.
No ano seguinte surgem seus Sonetos Completos (com 109 sonetos, e cinco poemas em quadras, devidamente ‘salvos‘ por Martins, antes do poeta, em uma das suas crises, tentar rasgá-los).
Em 1890 acontece o Ultimato Britânico nas celeumas políticas e econômicas da Inglaterra com Portugal, e Antero é chamado para assumir a presidência da Liga Patriótica do Norte, mais um fracasso pessoal do país e do homem, fazendo-o voltar, definitivamente, para S. Miguel.
Em 1891, ano fatídico, em 11 de setembro suicida-se com dois tiros na boca, na ilha que o acolheu derradeiramente.
No seu tempo tornou-se a voz do novo pensamento de Portugal, bebendo nas fontes da filosofia alemã, de Hegel e Schopenhauer, e na francesa, de Michelet e Proudhon (seu autor preferido). Bem como no universo poético vindos da França, Alemanha e Inglaterra, construindo ideologicamente, em seu país, o Realismo, junto a Eça de Queiroz e outros companheiros. Antero também anunciou o Simbolismo em Portugal, que viria surgir em 1890, e preparou o surgimento do Modernismo de 1915, que traria em Fernando Pessoa o idealizador.
          
Neilton Limeira Florentino de Lima, Diálogo poético entre Antero de Quental e Augusto dos Anjos: a modernidade luso-brasileira (Dissertação de mestrado).  Recife, Universidade Federal de Pernambuco, 2007, pp. 11-13
           
           
TEMÁTICA, ESTILO E LINGUAGEM DA POESIA DE ANTERO DE QUENTAL
  • Amor (retrato da mulher anjo como reflexo da "divina formosura", característica dos românticos, lirismo de êxtase);
  • Sonho (transfiguração do ambiente circundante, tendência para a evasão através do sonho);
  • Morte (presença da noite, debilidade espiritual, a dor de Ser, solidão, ceticismo);
  • Tédio (inquietações metafisicas, introversão);
  • Sentimento/Razão (um sentimento de contraste e consciência da limitação de todas as coisas, perspetiva filosófica da vida e do mundo, anseio de renovação moral e social);
  • Grandes ideais (Liberdade, Justiça, Amor, Bem, poesia de combate);
  • Religiosidade (busca de um Deus diferente);
  • Tom arrebatado e solene;
  • Grande expressividade semântica e morfológica (verbos, adjetivos, advérbios, conjunções adversativas e copulativas);
  • Linguagem clássica ("coorte"," verbo", etc.);
  • Expressividade sonora e rítmica (encavalgamento, rima monótona, aliteração, polissíndeto, anáfora);
  • Uso de determinados recursos estilísticos como forma de expressão dos seus estados de espírito (vocativo, reticências, interrogações);
  • Alegorias (Ideia, Razão, Noite, Morte, etc.);
  • Forma dialogada em alguns poemas.
           
Cecília Sucena e Dalila Chumbinho, Sebenta de Português: Antero de Quental – introdução ao estudo da obra, Estoril, Edição da papelaria Bonanza, [Edição: 2006]
        
A angústia existencial. Figurações do poeta. Diferentes configurações do Ideal.
PODERÁ TAMBÉM GOSTAR DE LER:
          
 Apresentação crítica, seleção, notas e sugestões para análise literária de textos de Antero de Quental, por José Carreiro. In: Lusofonia – plataforma de apoio ao estudo da língua portuguesa no mundo, 2021 (3.ª edição) <https://sites.google.com/site/ciberlusofonia/PT/Lit-Acoriana/antero-de-quental>



[Post original: http://comunidade.sol.pt/blogs/josecarreiro/archive/2012/10/09/ad.amicos.aspx]

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

HINO À RAZÃO (Antero de Quental)

Thomas Lerooy

          


       
     HINO À RAZÃO
     
     Razão, irmã do Amor e da Justiça,
     Mais uma vez escuta a minha prece,
     É a voz dum coração que te apetece,
     Duma alma livre, só a ti submissa.
     
     Por ti é que a poeira movediça
     De astros e sóis e mundos permanece;
     E é por ti que a virtude prevalece,
     E a flor do heroísmo medra e viça.
     
     Por ti, na arena trágica, as nações 
     Buscam a liberdade, entre clarões; 
     E os que olham o futuro e cismam, mudos,
     
     Por ti, podem sofrer e não se abatem, 
     Mãe de filhos robustos, que combatem 
     Tendo o teu nome escrito em seus escudos!
          
(1874-1880)
Antero de Quental
      
          
TEXTOS DE APOIO / LINHAS DE LEITURA
        
Lutando furioso contra a desilusão, caindo esmagado pelo aniquilamento, Antero de Quental ensimesmou-se (para usar de uma feliz expressão espanhola) meteu-se dentro de si, a sós consigo, apelou para as energias do seu instinto de homem, e foi isso o que lhe inspirou o belo «Hino à Razão».
          
Oliveira Martins, «Prefácio» in Os sonetos completos de Anthero de Quental, Porto, Livraria Portuense, 1886
         
                       

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Thomas Lerooy
         
                      
                      
                       
Numa primeira leitura, poderá causar estranheza o facto de o poeta irmanar conceitos tão díspares como a Razão, o Amor e a Justiça. No· entanto, estes três substantivos abstratos não poderiam deixar de estar associados, uma vez que a Razão é sinónimo de fraternidade e solidariedade, o Amor significa fraternidade e a Justiça tem subjacente a igualdade. Ao conciliar a Razão e o Amor, conceitos à partida antagónicos, pois a Razão aparece aliada à reflexão, à inteligência, enquanto o Amor se identifica com sentimento e emoção, o poeta pretende chamar a atenção para o facto de que só será possível atingir o Bem, a Liberdade, a Virtude, em suma, a Justiça, se a Razão e o Amor caminharem lado a lado. Ainda na 1ª quadra, que constitui uma espécie de introdução, o eu lírico revela-se uma alma inteiramente livre, apesar de submeter-se aos ditames da Razão.
Ora, com explicar então esta antítese? Afigura-se-nos fácil, tendo em conta o que anteriormente foi dito, compreender o sentido desta aparente contradição, pois o poeta, embora seja um ser livre, para atingir o seu Ideal terá de se subjugar à Razão, a qual mostra o verdadeiro caminho a seguir. Esta é o suporte das lutas e da mudança, daí nas três estrofes seguintes, através da repetição anafórica "Por ti" e de sucessivas enumerações, o poeta reforçar toda a sua crença na Razão. É por ela que "...na arena trágica, as nações / Buscam a liberdade, entre clarões", é ela que dá incentivo aos revolucionários, aos combatentes ("filhos robustos"),que através da sua luta, sempre movidas pela Razão, fazem prevalecer a virtude e o heroísmo:
"E é por ti que a virtude prevalece,
E a flor do heroísmo medra e viça. "
A importância que o poeta atribui à Razão manifesta-se igualmente no uso constante de:
-        polissíndeto, na 2ª e 3ª estrofes;
-        verbos no imperativo ("escuta");
-        verbos no presente (''permanece'', "prevalece", "medra", " viça", "buscam" , etc.) que apontam a intemporalidade da mensagem transmitida;
-        metáforas (“… na arena trágica... ", "Mãe de filhos robustos, que combatem/Tendo o teu nome escrito em seus escudos!");
-        encavalgamento, associado à vírgula, que transmite a fluidez de pensamento do poeta ("E os que olham o futuro e cismam, mudos/ Por ti, podem sofrer e não se abatem");
-        o ponto de exclamação do último verso revela o estado emocional do sujeito poético, que, embora presente ao longo de todo o poema, se expressa mais nítida e entusiasticamente no final do soneto.
          
Cecília Sucena e Dalila Chumbinho, Sebenta de Português: Antero de Quental – introdução ao estudo da obra, Estoril, Edição da papelaria Bonanza, [Edição/reimpressão: 2006]
                                

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Thomas Lerooy
                       
                               
                       

O poeta considera a Razão «irmã do Amor e da Justiça», porque é a voz do sentimento («a voz do coração», v. 3; «duma alma», v. 4).
Procurando o sentido da vida e da dor, o poeta tenta unir a razão ao coração. Compara a razão a um a«mãe de filhos robustos», v. 13, o que contrasta com a voz do coração (v. 3) a que se submete. A antítese «livre»/«submissa» (v. 4) confirma a antinomia entre a razão de fundo ateísta e o amor e a prece de raiz católica. O poeta tenta resolver esta aparente oposição considerando que a submissão por amor se torna dignificante. Daí que «a virtude prevaleça / E a flor do heroísmo medra e viça» (vv. 7-8).
A anáfora «Por ti» remete para a luta travada pelo Homem, ao longo da História, em nome da razão. Esta luta é presente/passado e futuro (presente histórico). Pela Razão, ainda, permanece a harmonia no universo (vv. 5-6), por ela se mantém a virtude e se desenvolve o heroísmo (vv. 7-8), por ela as nações procuram encontrar a liberdade (vv. 9-10), por ela se sofre, se combate para que o futuro seja livre e melhor (vv. 11-14). A anáfora reforça a importância da Razão para o Homem se realizar no mundo e realizar o próprio mundo.
Só com a Razão se manifesta o Amor, se consegue a justiça e se atinge a liberdade, o último fim que ansiosamente busca «entre clarões» (v. 10). A atracção pela Liberdade que se apresenta como autodeterminação do se não invalida a liberdade humana condicionada. Por isso, afirma  que a prece «è a voz [] duma alma livre, só a ti submissa» (vv. 3-4). A «alma livre» é considerada pela Razão, mas é por esta mesma Razão que as nações buscam a Liberdade, como fim último.
Amor, Justiça, Liberdade são três valores que ressaltam deste soneto. Ao tornar a Razão irmã do Amor e da Justiça, o poeta revela-se preocupado em harmonizar conceitos.
Cabe à Razão levar o Homem a saber que só o Amor e a Justiça podem criar a harmonia e levar à Liberdade.
          
      
QUESTIONÁRIO INTERPRETATIVO
        
1. Poderá identificar a «Razão», cantada neste poema, com a «Ideia», exaltada no poema  Tese e Antítese I? Justifique baseando-se na mensagem dos poemas.
2. Que expressividade encontra na repetição de «por ti», em lugar de destaque?
3. Transcreva dois versos que sugiram que a Razão se identifica panteistamente com a Ideia Universal, uma espécie de alma do mundo que comanda a História.
4. Com base na repetição de «por ti», demonstre que a dimensão histórica enforma o sentido global do poema.
     
António Afonso Borregana, Antero de Quental, o texto em análise – ensino secundário, Lisboa, Texto Editora, 1998.
        

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  Exposição oral sobre a análise do soneto "Hino à Razão", de Antero de Quental, disponível na Escola Virtual.

 Apresentação crítica, seleção, notas e sugestões para análise literária de textos de Antero de Quental, por José Carreiro. In: Lusofonia – plataforma de apoio ao estudo da língua portuguesa no mundo, 2021 (3.ª edição) <https://sites.google.com/site/ciberlusofonia/PT/Lit-Acoriana/antero-de-quental>



[Post original: http://comunidade.sol.pt/blogs/josecarreiro/archive/2012/10/08/hino.a.razao.aspx]